Em posse com Moro, novo presidente do TCU agradece a Lula e é aplaudido

O agradecimento a Lula se deu nos minutos finais da fala de Múcio, quando ele se referia a pessoas que foram importantes em sua trajetória.

O ministro José Múcio Monteiro assumiu a presidência do TCU (Tribunal de Contas da União) nesta terça-feira (11). Em seu discurso de posse, ele agradeceu ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pela indicação para integrar a corte, em 2009.

A referência ao ex-mandatário, condenado e preso pelo caso do tríplex do Guarujá, foi seguida de aplausos de parte da plateia, composta por autoridades diversas, servidores do tribunal e ex-integrantes do governo do petista, como a ex-ministra Miriam Belchior, o ex-presidente do BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento e Social) Luciano Coutinho e o ex-advogado geral da União Luís Inácio Adams.

Presente ao evento, o ex-juiz e futuro ministro da Justiça, Sergio Moro, que sentenciou Lula em primeira instância, não se manifestou, assim como outros integrantes já anunciados do governo de Jair Bolsonaro (PSL), como Paulo Guedes, indicado para chefiar a pasta da Economia.

O agradecimento a Lula se deu nos minutos finais da fala de Múcio, quando ele se referia a pessoas que foram importantes em sua trajetória. "A gratidão é a memória do coração, já disse Santo Agostinho. No campo político, preciso agradecer Roberto Magalhães, que me iniciou na política, ao povo de Pernambuco, que me deu cinco mandatos, e ao ex-presidente Lula, que me fez ministro", declarou.

Órgão ligado ao Congresso, o TCU é responsável por fiscalizar as finanças do governo federal e julgar as contas do presidente da República. Nesta terça, também tomou posse como vice-presidente e corregedora do tribunal a ministra Ana Arraes. Os dois terão mandato de um ano, podendo ser reconduzidos aos cargos por mais um.

Múcio fez carreira na política, tendo exercido cinco mandatos como deputado federal. Passou pelos extintos PDS e PFL (hoje DEM), PSDB e, por último, PTB, pelo qual foi ministro das Relações Institucionais de Lula entre 2007 e 2009. O petista o indicou a ocupar a vaga que cabe ao Palácio do Planalto no tribunal. A indicação foi aprovada pelo Congresso.

Participaram da posse o presidente da República, Michel Temer (MDB), os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE), e do STF (Supremo Tribunal Federal), Dias Toffoli, além da procuradora-geral da República, Raquel Dodge. O presidente eleito, Jair Bolsonaro, que está em Brasília, não compareceu.

A posse

Em seu discurso de posse, Múcio defendeu uma gestão transparente, adaptada aos novos tempos e que sirva de exemplo.

A ministra Ana Arraes acumulará a função de corregedora do TCU. As informações são da Agência Brasil. "Projetamos uma ampliação das relações institucionais da Corte com os principais atores da República. A gestão se pautará pela proatividade, transparência no relacionamento com as instituições, com setores estratégicos e com sociedade organizada", disse Múcio.

Ele adiantou que o combate a corrupção será um dos pilares de sua gestão. "Temos que ser uma instituição que lidere pelo exemplo. Vamos dar exemplo, vamos arregaçar as mangas, vamos trabalhar juntos e fazer diferença", afirmou o ministro, em tom de convocação.

Em sua gestão, José Múcio afirmou que o TCU não deverá ser visto apenas como órgão julgador, que aponta condutas irregulares ou ilegais. "Temos observado também as boas práticas na gestão pública. Devemos enaltecer as condutas que merecem ser replicadas pelo país."

Ele destacou ainda que é preciso contribuir para minimizar o que chamou de "injustiças do pacto federativo", com vistas a uma distribuição mais equitativa das riquezas nacionais. "É hora, mais do que nunca, de reafirmarmos de ser um tribunal de todo o país."
 

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