Com plenário esvaziado, vereadores se dividem sobre impactos da eleição nos debates

No segundo dia de trabalhos presenciais, o plenário da Câmara Municipal de Fortaleza, que tem agora capacidade reduzida, esteve esvaziado. Parlamentares, porém, ainda podem participar das discussões virtualmente

Legenda: Vereadores reconhecem que o segundo semestre será “atípico” por conta das eleições municipais
Foto: Camila Lima

Depois de uma sessão de retorno marcada por embates políticos, a segunda sessão presencial na Câmara Municipal de Fortaleza foi diferente. Nesta quarta (12), o plenário estava esvaziado, com cadeiras sobrando, enquanto na quarta-feira anterior (5) não havia lugares para a quantidade de vereadores que gostariam de permanecer no plenário. Parlamentares reconhecem que o segundo semestre será “atípico” por conta da eleição municipal, mas divergem sobre a possibilidade de prejuízo aos debates na Casa diante das articulações político-eleitorais.

Nos corredores da Casa, já acontecem conversas reservadas e cálculos para projetar a quantidade de votos necessários para garantir reeleição. Manifestações simbólicas, assim como demandas apresentadas na tribuna sem terem relação com os projetos em pauta, também dão o tom da corrida eleitoral. Evidenciar o partido faz parte da estratégia para que as alianças fiquem claras. Na base ou na oposição, cada vereador tem reivindicações ao Executivo, de olho em agradar as bases eleitorais – sejam bairros ou categorias.

Redução de cadeiras

Por conta da pandemia, o número de cadeiras em plenário foi reduzido de 43 para 22. Trata-se de uma das medidas de segurança sanitária estabelecidas para a volta dos trabalhos presenciais. Os demais parlamentares participam das discussões de forma virtual. No entanto, ontem, a maioria dos vereadores preferiu acompanhar de dentro dos gabinetes, bem diferente da sessão de retorno, trazendo à tona preocupações com esvaziamento das sessões da Casa.

Para o vereador Renan Colares (PDT), a proximidade do pleito deve mudar o clima no Legislativo, com debates mais acalorados sobre alguns temas, mas não deve prejudicar o andamento das pautas e de votações.

“A proximidade da eleição traz qualquer tema para um debate com sentimento eleitoral. Claro que às vezes isso tira um pouco da visão técnica e fortalece o discurso político, ainda mais agora faltando alguns dias para o início da campanha eleitoral, mas isso não prejudica, porque faz parte do papel do vereador”.

Para Colares, o esvaziamento de ontem não deve ser recorrente e nem atrapalhar os trabalhos. “O vereador tem a liberdade de estar presente aqui ou acompanhar virtualmente. Acho até que isso (participação virtual) pode ter melhorado nossa proximidade com a população”, afirmou.

O vereador Sargento Reginauro (Pros) reconhece os esforços de alguns parlamentares para participarem dos debates de maneira remota, principalmente por fazerem parte do grupo de risco da Covid-19, mas acredita que o período eleitoral deve ter reflexos nos trabalhos do Legislativo.

“Já havia uma expectativa desse segundo semestre ser mais esvaziado, se tornou algo comum pelas casas legislativas do Brasil. Eu estou no mandato há um ano e meio, não entendo que o período eleitoral deva ser um período de ausência do vereador, porque o nosso mandato permanece e a cidade não para porque um político está em processo de reeleição”, destacou.

Já o vereador Guilherme Sampaio (PT) diz não acreditar em prejuízos para a Câmara por conta do período eleitoral e ressalta que muitos colegas devem usar os mandatos para se fortalecer como candidatos, e não o contrário, deixando os trabalhos da Câmara em segundo plano.

“Acho que não tem nenhum motivo para a Câmara ter prejuízo nos debates durante o período eleitoral. Pelo contrário, sempre falo: a melhor campanha é um mandato forte e atuante. Essa alternativa de participar das sessões nos gabinetes pode ser que seja responsável por certo esvaziamento no plenário, afinal, muitos vereadores estão na faixa de vulnerabilidade para a Covid-19”, defendeu.

Projetos

Durante a sessão desta quarta, 15 projetos de autoria de parlamentares foram aprovados na Casa, sendo 14 de indicação e um requerimento. 

Entre as matérias aprovadas, estão desde solicitações para aberturas de ruas e construção de Centros de Referência de Assistência Social (Cras) à criação de um programa de garantia de educação inclusiva às crianças com microcefalia na Capital. Por se tratarem de projetos de indicação, as medidas podem ou não ser acatadas pelo Executivo.

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