Atos em reação à soltura de ex-presidente são convocados na Capital

Após a decisão judicial que garantiu, ontem, a libertação de Lula, apoiadores do petista se reuniram em dois pontos de Fortaleza para comemorar. Já para hoje, está marcado protesto que contesta a decisão do STF sobre segunda instância

Legenda: Na sexta à noite, dezenas de apoiadores da liberdade do petista se reuniram na Avenida da Universidade
Foto: Foto: Thiago Gadelha

Um dia após o Supremo Tribunal Federal (STF) proibir prisão depois de condenação em segunda instância, a soltura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), preso desde abril do ano passado, motivou, ontem, reações em Fortaleza – que devem se estender ao longo do dia de hoje. Ao saberem da decisão judicial, apoiadores do petista se reuniram, primeiro, no cruzamento das avenidas Antônio Sales com Rui Barbosa, na Aldeota, e, depois, em frente à sede estadual do PT, no bairro Benfica, para comemorar.

Em paralelo à celebração de militantes, aliados e apoiadores, adversários políticos reforçam a discordância sobre o impedimento da prisão após condenação em segundo grau. 

Um outro protesto, cuja organização é atribuída, nas redes sociais, ao Partido Novo e ao grupo “Bandeiras Políticas”, está agendado para a tarde de hoje (9), na Praça Portugal, na Aldeota. A manifestação vai contestar a decisão do STF, com o objetivo de pressionar o Congresso Nacional e a próprio Corte a reverterem o novo entendimento. 

No início da noite de ontem, na sede do PT no Ceará, apoiadores do ex-presidente foram chegando e, pouco tempo depois, dezenas de pessoas se concentraram na Avenida da Universidade, onde fica localizado o diretório. Automóveis que passavam pelo local buzinavam e contribuíam com a comemoração. Outros passavam rapidamente em sinal de desaprovação. 

Otimistas com a soltura, muitos manifestantes saíram do trabalho e foram direto para o local. Foi o caso da corretora de seguros Raquel Regis, de 25 anos. “Eu não esperava que ele fosse sair tão rápido após a decisão do STF, achei que fosse demorar mais um pouco. Então, tive que comemorar. Traz a esperança de volta para a gente”, disse.
Já para a professora Luciana Castelo Branco, 46 anos, apesar de a decisão do STF dividir a população, inclusive cearense, o Tribunal “apenas cumpriu a Constituição”.

"Muitos reclamam da decisão do STF, mas ele só fez cumprir o que diz a Constituição, que é o que rege a nossa democracia”.

Parlamentares e dirigentes do PT participaram da mobilização. “Hoje é muita celebração, ao mesmo tempo, com a consciência de que essa luta vai continuar, que a guerra jurídica continua em curso”, disse o vereador Guilherme Sampaio, presidente do partido em Fortaleza. “Mas é bom frisar que essa não é a decisão justa que esperamos para o Lula. O que queremos da Justiça é a declaração da inocência”, completou o parlamentar. 

O presidente do diretório estadual do partido, Antônio Filho, o Conin, avaliou que a soltura do ex-presidente pode contribuir para uma “união” dos partidos de esquerda. “A presença dele vai possibilitar que dialogue com todo o País, o que tende a fortalecer muito as forças progressistas”.

Assim como ocorreu em âmbito nacional, muitas lideranças políticas cearenses de outros partidos, tanto da base governista como da oposição no Estado, preferiram não se manifestar diante da soltura. “Justiça feita. Lula, o maior presidente que este País já teve, está livre”, escreveu no Facebook o governador Camilo Santana (PT). 

Um dos poucos nomes da oposição a quebrar o silêncio, ontem, o deputado federal Capitão Wagner (Pros) defendeu, no Twitter, uma ação do Congresso em reação à decisão do Supremo. “Já existem muitos parlamentares a favor da prisão após a condenação em segunda instância. Todos devem pressionar seus deputados e senadores para que a Constituição seja alterada, e essa decisão revertida”.

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