Após deixar cargo federal, General Theophilo diz que atuará nos bastidores da política
Ex-secretário nacional de Segurança Pública, ele assumiu a presidência do Podemos em Fortaleza.
Quase dois anos após disputar o Governo do Ceará, o ex-secretário nacional de Segurança Pública, General Guilherme Theophilo, volta ao Estado para comandar o Podemos Fortaleza, mas descarta disputar cargo eletivo. "Se eu puder colaborar, principalmente com meu Estado e com Fortaleza, ficarei muito satisfeito, mas por trás dos bastidores, não mais na frente dos holofotes, ajudando com a minha experiência na área da segurança pública, que acho que a cidade está muito carente", disse nesta quarta-feira (17), em entrevista ao Diário do Nordeste.
Em 2018, quando disputou o Governo do Estado contra Camilo Santana (PT), Theophilo chegou a afirmar, em entrevista ao Diário do Nordeste, que deixaria a curta carreira política caso fosse derrotado. À época, o atual governador, Camilo Santana (PT), venceu com quase 80% dos votos, com uma ampla base de aliados, diferentemente da articulação em oposição.
"Muitas lições foram aprendidas durante essa campanha, principalmente no interior do Estado, em que eu vi que a política continua muito à base do coronelismo", afirmou. "Ainda ficou muito a ideia, no nosso interior do Estado, de uma província", completou.
Para Theophilo, a experiência de um ano e quatro meses à frente da Secretaria Nacional de Segurança Pública, como braço-direito do ex-ministro Sérgio Moro, foi importante para que ele ganhasse experiência no combate à corrupção, ao crime organizado e aos crimes violentos.
Podemos
Desde o ano passado, o Podemos anunciou apoio à pré-candidatura do deputado federal Capitão Wagner (Pros) em Fortaleza. Recém-chegado à sigla, Theophilo ocupa cargo deixado pelo coronel da reserva Plauto de Lima, que disputará a eleição para vereador.
O presidente estadual do Podemos, Fernando Torres, pontua que o partido não se define como base ou oposição ao presidente Jair Bolsonaro, mas tem adotado postura, principalmente no Congresso Nacional, conforme os preceitos da sigla – o que tem ajudado a fortalecê-los, afirma.
"O partido vem crescendo por esse ar de independência e é assim que nós estamos construindo no Estado, desde o ano passado, 54 comissões ativas, 16 pré-candidaturas a prefeito, 12 pré-candidaturas a vice-prefeito e 38 municípios formando chapa de vereadores", destaca Torres.
Capital
Em Fortaleza, segundo ele, o Podemos montou uma chapa cheia de 65 pré-candidatos a vereador, com foco em manter um equilíbrio na disputa entre eles. "Um critério estabelecido nosso foi de que nem os presidentes iriam se candidatar a vereador - para que não se dissesse que se ia 'com apoio total' àquele candidato, nem iríamos montar chapa com candidatos que já tivessem sido testados nas urnas para vereador e tivessem tirado mais de três mil votos", frisa.
Fernando Torres reconhece também a excepcionalidade da atual eleição, especialmente com as medidas de restrição oriundas do combate à pandemia da Covid-19.
"É um cenário totalmente diferente. (...) As pessoas, muitas vezes, não vão querer atender a um candidato na porta da sua casa. E por onde ele vai chegar? Pelo celular. Aquele que souber se comunicar melhor - que nem sempre vai ser o melhor - vai chegar. Os gastos que tínhamos de combustíveis, de líderes comunitários de material de santinho, isso vai reduzir muito", pontua.