A sete dias do fim das convenções, candidaturas são incógnitas na Capital

Partidos continuam com articulações em andamento e, até as convenções partidárias, nomes que vêm sendo apresentados ainda podem mudar. Oficialmente, apenas três legendas confirmaram candidaturas

Legenda: Pelas sinalizações de muitos partidos, a disputa pelo Paço Municipal em novembro próximo deve ser fragmentada
Foto: José Leomar

A sete dias do fim do prazo para realização das convenções partidárias, a eleição em Fortaleza ainda tem mais pendências do que definições. Muitas articulações para composição de chapas estão em andamento, o que deixa o cenário ainda nebuloso na Capital.

Até o momento, apenas três partidos lançaram nomes para a disputa pelo Paço Municipal: o Pros, que oficializou o deputado federal Capitão Wagner como candidato a prefeito; o Patriota, com a chapa liderada pelo presidente estadual da agremiação, Samuel Braga; e a UP, que confirmou a professora Paula Colares à disputa na Capital.

O nome de Wagner é o que compila mais alianças em torno de sua candidatura até agora, oito partidos ao todo. A chapa atrai bolsonaristas e membros de outros partidos conservadores de direita. Ele conta com o apoio do Podemos, PSC, Avante, PMB, DC, PTC e Republicanos. Destes, no entanto, apenas o Republicanos tem maior expressividade no cenário nacional, o que resulta no baixo tempo de propaganda gratuita e verba de fundo eleitoral.

Enquanto isso, o PDT, partido que comanda o Paço Municipal atualmente, ainda não definiu quem será o candidato para tentar a sucessão do prefeito Roberto Cláudio, apesar de ter cinco pré-candidatos apresentados: os deputados estaduais José Sarto e Salmito Filho; o deputado federal Idilvan Alencar; o ex-secretário de Governo do Município, Samuel Dias; e o ex-secretário da Regional II, Ferruccio Feitosa.

Nos bastidores, o partido tem conversado com aliados e há a possibilidade de formar chapa com o PSB, que tem como pré-candidato Élcio Batista, ex-secretário da Casa Civil. O PSB, inclusive, admite que a legenda só irá bater o martelo sobre candidatura quando encerradas as negociações com os pedetistas.

A definição para ambas as agremiações deve sair mesmo até sexta, já que as convenções das duas legendas estão marcadas para ocorrer no sábado (12). A candidatura da situação deve contar com o apoio do PSD, Rede, PL e de outros partidos aliados.

PT

No PT, o governador Camilo Santana faz várias tentativas para unir a sigla ao PDT na Capital. No entanto, as chances ficaram cada vez mais remotas após o ex-assessor especial de Relações Institucionais do Estado, Nelson Martins, comunicar que estaria fora da disputa, por problemas pessoais. Ele era apontado com possível catalizador de forças entre as duas legendas.

Agora, o que se comenta nos bastidores é que, no primeiro turno, as duas legendas devem evitar um confronto mais acirrado. Hoje, a cúpula petista deve se reunir para delimitar os rumos em Fortaleza e tratar sobre convenção. A candidatura do partido deve ser formalizada em convenção no próximo dia 13.

O nome da deputada Luizianne Lins, que é a pré-candidata da legenda, tende a se confirmar na disputa. A vaga de vice na chapa, no entanto, ainda não está definida. Até agora, o partido tem recebido flertes do MDB, que ventila o nome da ex-secretária executiva de Esporte Jade Romero para compor a chapa em troca de uma aliança.

Enquanto alguns membros do PT reconhecem a importância de uma aliança com o MDB, por conta do grande tempo de propaganda gratuita da legenda e da verba do fundo eleitoral, muitos ainda são relutantes sobre uma chapa com o partido liderado pelo ex-senador Eunício Oliveira.

No entanto, a possibilidade de aliança com o MDB deve ser avaliada pelo governador. Camilo tem atuado nos bastidores a fim de construir o melhor cenário para que Governo do Estado e Prefeitura de Fortaleza continuem em sintonia, aos moldes de sua aliança com Roberto Cláudio.

MDB

Os rumos do MDB, diante disso, ainda estão incertos. Além do PT, o partido tem ensaiado aproximação com Capitão Wagner e com o deputado Heitor Férrer, pré-candidato pelo Solidariedade (SD). No entanto, até o momento, o aceno maior foi para o PT, com colocação de um nome.

"Duas mulheres, duas loiras, dá certinho, mas ainda não tem nada definido. O (ex-)senador Eunício vai conversar essa semana com o governador Camilo", afirma o deputado estadual Walter Cavalcante, presidente do MDB na Capital, sobre possível aliança com o PT construída com o nome de Jade Romero.

O MDB também não descarta a possibilidade de ter candidatura própria na Capital e lançar o deputado Leonardo Araújo à disputa. A definição deve sair no dia 15.

Tucanos e DEM

O PSDB e o DEM também estão com articulações em andamento, apesar de os tucanos terem apresentado o ex-deputado estadual Carlos Matos como pré-candidato. Os dois partidos já definiram que estarão juntos na disputa. As legendas discutem a possibilidade de apoiar o candidato da situação. No entanto, advertem: se o PDT se unir ao PT, ambos estão fora da aliança.

Nas articulações, há também a possibilidade de apoio a Capitão Wagner, defendido por muitos tucanos. Muitos parlamentares do partido estiveram presentes na convenção do Pros, mostrando uma divisão no partido. A situação, todavia, foi minimizada pelo próprio Carlos Matos, que também é presidente do PSDB em Fortaleza.

"Na política, tem muita amizade também. Nem sempre presença significa apoio", ressaltou o ex-deputado O cenário do DEM e do PSDB deve ficar mais claro apenas nas convenções, que estão marcadas para ocorrer nos dias 14 e 15, respectivamente.

PSL

Já o PSL deve lançar o deputado federal Heitor Freire como mais uma candidatura de oposição na Capital. Após declarar que queria uma mulher militar para a vaga de vice, Freire tem cogitado o nome de Albino Oliveira (PSL), um dos fundadores do grupo "Direita Ceará", para ser seu vice na chapa. Albino é um dos homens de confiança de Freire.

O PSL é um dos partidos com maior tempo de propaganda gratuita na TV e de fatia do fundo eleitoral.

Cidadania

Na base, aliado do PDT, o Cidadania também continua as negociações com a situação. Porém, até que haja uma definição, a agremiação mantém a pré-candidatura de Alexandre Pereira, presidente da legenda em Fortaleza e ex-secretário de Turismo de Roberto Cláudio, na disputa pelo Paço.

O Solidariedade tem o deputado Heitor Férrer como pré-candidato, que já concorreu outras vezes ao pleito na Capital. O nome de Férrer deve ser oficializado para a disputa no dia 15. A agremiação ainda não anunciou candidato a vice.

PCdoB

O PCdoB, por sua vez, defende uma união dos partidos de esquerda na Capital contra a "candidatura bolsonarista". No entanto, como a possibilidade de união entre PT e PDT é cada vez mais remota, a agremiação já anunciou uma pré-candidatura "pura", como professor Anízio Melo com o pré-candidato a prefeito e a médica Helena Serra, como pré-candidata a vice.

Psol

Assim como o PCdoB, o Psol também defende uma unificação da esquerda. No entanto, o partido não vai ficar de braços cruzados enquanto a aliança não vem e já conta com o apoio do PCB. A agremiação deve confirmar o deputado Renato Roseno como candidato a prefeito e a militante Raquel Lima (PCB) como vice no próximo dia 14.

PV

O PV tem o deputado Célio Studart como pré-candidato. O nome dele deve ser oficializado no dia 16, já que a sigla tem colocado Studart como uma “terceira via”. O postulante a vice deve sair de dentro da própria legenda.

Primeiro turno

Muitas agremiações querem ter candidatura própria para obter mais votos na legenda e tingir o quociente eleitoral e partidário para garantir vagas na Câmara Municipal de Fortaleza. Com o fim das coligações, cada agremiação estará ‘por conta própria’.

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