Siará+ triplica acervo em um ano e estuda desenvolver app para expandir público

Plataforma pública soma 14 mil visualizações entre agosto de 2025 e agosto de 2026 e busca aumentar catálogo e público.

Escrito por
João Gabriel Tréz joao.gabriel@svm.com.br
Legenda: Plataforma foi oficialmente lançada em 5 de agosto de 2025.
Foto: Thiago Gadelha / SVM.

Há pouco mais de um ano, em 5 de agosto de 2025, o audiovisual cearense ganhou a Siará+, streaming público e gratuito que reunia, de início, 50 títulos de diferentes realizadores, tempos e gêneros da produção do Estado.

Após os 12 primeiros meses desde o lançamento da iniciativa do Governo do Ceará, que foi implementada e é gerida pelo Cineteatro São Luiz, a plataforma soma, hoje, 151 títulos disponibilizados ao público.

Em dados demandados pela coluna ao equipamento gestor da Siará+, este acervo soma um total de 14.029 visualizações contabilizadas entre 5 agosto de 2025 e 6 de agosto de 2026 — número que revela um dos principais desafios do streaming: alcançar o público.

Em entrevista, o coordenador editorial e curador da Siará+ Duarte Dias — também programador, curador de cinema e coordenador do Núcleo de Acervo e Difusão Audiovisual do Cineteatro São Luiz  — adianta que o desenvolvimento de aplicativo para celulares e TVs está em análise e elucida desafios e conquistas do primeiro ano da plataforma.

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Criação de app é “estratégica” para consolidar Siará+

Desde o lançamento, o streaming só pode ser acessado por navegador, sem aplicativo para TV ou smartphone. Segundo Duarte Dias, a Siará+ tem recebido a demanda de criação da app “desde o lançamento”.

“A disponibilização de aplicativos para dispositivos móveis e Smart TVs representa um passo importante para ampliar o acesso e qualificar ainda mais a experiência do público”, reconhece.

O curador e coordenador antecipa que a Secretaria da Cultura do Ceará e parceiros estão analisando a possibilidade e avaliando “os aspectos técnicos, financeiros e operacionais necessários ao desenvolvimento dessa nova etapa”.

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Embora ainda não haja um cronograma oficial para sua implementação, trata-se de uma perspectiva considerada estratégica para o fortalecimento e a consolidação da plataforma”, sustenta.

Outro ponto avaliado pela Secult para a Siará+ é o aperfeiçoamento de aspectos como navegação, acessibilidade, mecanismos de busca e recomendação de conteúdos da plataforma, acrescenta.

Como acervo foi montado

As obras na plataforma foram, desde o início, divididas em “coleções temáticas” estruturadas a partir de escolhas curatoriais. Como explica Duarte, os eixos definidos foram: 

  • Memória e Identidade Cearense, dedicada às relações entre território, afetos e patrimônio;
  • Corpo, Cotidiano e Gênero, voltada às experiências da vida contemporânea;
  • Ruralidades e Sertões Urbanos, que aproxima o universo rural das transformações sociais e culturais;
  • Experimentações Visuais e Narrativas, reunindo obras de linguagem mais autoral e inovadora; e
  • Patrimônio, História e Consciência Social, destinada a filmes que dialogam com processos históricos, culturais e sociais do Ceará. 

Uma imagem tríptica vertical composta por três cenas de filme. À esquerda, uma mulher com maquiagem dramática canta em um palco. No centro, um homem com um boné azul segura um bebê em uma estrada rural, e à direita, a silhueta de um animal com chifres é vista na névoa.
Legenda: Filmes como "Inferninho", "Mais Pesado é o Céu" e "O Caldeirão da Santa Cruz do Deserto" estão no catálogo da plataforma.
Foto: Divulgação; Petrus Cariry / Divulgação; Divulgação.

O curador ressalta que, desde o planejamento inicial, havia previsão de ampliação gradativa do catálogo. O número atual, de 151 títulos, foi alcançado em dezembro de 2025

“Essa expansão ocorreu por meio do licenciamento de obras junto aos seus detentores de direitos autorais, permitindo que a plataforma reunisse um panorama representativo da produção audiovisual do Estado, contemplando diferentes gerações, formatos e linguagens”
Duarte Dias
curador e coordenador da Siará+

Além do licenciamento, houve ainda iniciativas como a Mostra Cineteatro São Luiz de Curta-Metragem, promovida entre julho e agosto de 2025. A partir de chamada pública, 30 curtas brasileiros foram selecionados para disponibilização na Siará+ e em sessões presenciais. 

Período eleitoral impactou atuação da Siará+

No início de julho, foi divulgado por meio de release à imprensa que filmes do realizador cearense Hermano Penna, além de obras recentes como “Filosofia de Boteco”, por exemplo, seriam agregadas ao acervo da plataforma.

No entanto, as obras citadas não foram de fato adicionadas ao catálogo da Siará+. Segundo Duarte, a contratação e o licenciamento das obras foram concluídos, mas houve decisão por “adequar o calendário de lançamento dos novos títulos às restrições inerentes ao período de defeso eleitoral”.

A menção ao “defeso eleitoral” se refere ao período de três meses anteriores às eleições que determina regras sobre a administração pública, proibindo pontos como publicidade institucional. Desde o dia 4 de julho, redes sociais de entidades e órgãos públicos foram temporariamente desativadas.

Imagem dos bastidores da gravação da comédia cearense 'Filosofia de Boteco', mostrando um local como um bar com clientes em mesas e um palco.
Legenda: Comédia cearense 'Filosofia de Boteco' mistura humor típico do Estado com reflexões e teorias filosóficas de modo leve e acessível.
Foto: Divulgação.

A continuidade da Siará+ não se encaixa em nenhuma das proibições, mas Duarte aponta que a opção de não acrescentar novos filmes no período “busca assegurar o pleno cumprimento da legislação e das orientações aplicáveis à comunicação institucional”.

Os 10 novos títulos que seriam acrescentados no começo de julho serão disponibilizados após o fim do defeso. “Dessa forma, será possível realizar uma divulgação adequada, valorizando cada lançamento e informando amplamente o público sobre a ampliação do catálogo da plataforma”, explica o coordenador.

Incorporação gradual de conteúdos da rede de equipamentos está prevista

“A Siará+ possui um planejamento permanente de ampliação do catálogo, estruturado a partir de diferentes frentes de incorporação de conteúdos”, elucida Duarte.

Passadas as limitações do período de defeso eleitoral, há previsão de integrar ao catálogo produções audiovisuais realizadas ou detidas por equipamentos da Rede Pública de Espaços e Equipamentos Culturais do Estado do Ceará (Rece).

O processo, diz ele, já foi iniciado em março. Há três meses, a plataforma passou a disponibilizar o videocast “Cenas São Luiz”, produzido no escopo do Cineteatro São Luiz. 

Conteúdos audiovisuais produzidos ou cujos direitos estejam detidos por instituições como o Museu da Imagem e do Som do Ceará, o Centro Cultural Bom Jardim e a Escola Porto Iracema das Artes, por exemplo, devem ser adicionados.

Integração com o Cineteatro São Luiz e a Tela Brasil

Um aspecto destacado por Duarte é a integração da Siará+ com iniciativas presenciais do próprio Cineteatro São Luiz e, ainda, com a “irmã mais nova” Tela Brasil, streaming público de cinema brasileiro do Governo Federal lançado mais de nove meses depois da plataforma cearense.

A já citada Mostra Cineteatro São Luiz de Curta-Metragem é um exemplo da atuação integrada entre o streaming e as ações presenciais do equipamento, fato que norteia o projeto desde a concepção.

A intenção, explica Duarte, é ampliar o alcance das obras e fortalecer a circulação do audiovisual em contextos educativos e culturais. O ponto da educação, inclusive, terá o fortalecimento do projeto São Luiz Itinerante.

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Na plataforma, serão disponibilizados materiais didático-pedagógicos produzidos pela equipe do Cineteatro São Luiz sobre 40 obras do catálogo da Siará+. 

São informações dos filmes e, ainda, propostas de atividades, planos de aula e sugestões de abordagem das obras para diferentes etapas da educação básica.

Com o passo de disponibilizar virtualmente conteúdo que já é disposto pelo São Luiz em programações presenciais, “a ideia é fazer com que a Siará+ seja, cada vez mais, não apenas uma plataforma para assistir filmes, mas um ambiente de conhecimento, mediação e formação”.

em relação à Tela Brasil, Duarte ressalta a visão das duas iniciativas como “complementares” e adianta que há estabelecimento de diálogo oficial entre as equipes das plataformas

“Existem tratativas institucionais voltadas à construção de possíveis formas de interação entre as plataformas, preservadas as especificidades e a autonomia de cada uma”, afirma.

“O diálogo já iniciado com outras iniciativas, como a plataforma Tela Brasil, demonstra que há espaço para construir redes de cooperação capazes de ampliar significativamente a circulação da produção brasileira e, em especial, do cinema cearense”
Duarte Dias
curador e coordenador da Siará+

“Quando lançamos a Siará+, nossa expectativa era muito clara: criar uma plataforma pública capaz de reunir, preservar e difundir de forma permanente a produção audiovisual cearense, oferecendo ao público um espaço de acesso gratuito e organizado por critérios curatoriais”, relembra o coordenador.

Na avaliação dele, o primeiro ano do streaming demonstra o êxito em “estruturar o projeto”. “Naturalmente, toda plataforma digital é um organismo vivo e seu desenvolvimento ocorre de forma contínua. A partir do estágio em que a Siará+ se encontra hoje, nosso principal desafio deixa de ser apenas ampliar o número de títulos e passa a ser consolidar um ecossistema permanente de difusão do audiovisual cearense”, antevê.

Siará+

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