Saber ou não saber, eis o isolamento

A pandemia tem sido terrível, para cada um de um jeito. Desde a fofoca geral de tédio no comecinho até a angústia real do medo de ficar doente, de como vai ficar meu trabalho, de caramba como as pessoas não obedecem... Socorro! Isso não vai acabar nunca. Vem logo, asteroide! Por aí vai. Várias questões. Medo do desconhecido, da falta da rotina, do hábito, da insegurança no futuro.

Olho e penso que muito das angústias vem de uma informação desinformada. Até temos informação de ruma. Mas o que dizem? Tantos casos, mortes, leitos, porém quando isso vai acabar? Vários já arriscaram prever (também me atrevi: falhei miseravelmente), e nenhum consegue acertar nada além de "por enquanto vai ficando assim e um dia vai passar"... Mas que dia? Talvez, Deus saiba. Faz parte. Resiliência também é suportar e superar. Já algumas coisas todo mundo sabe: o isolamento social ajuda. A maior parte da população, ou ao menos uma parte dela, acredita, mas por que nem todos acreditam? Pula a parte do porque não seguem. Queria pensar como fazer acreditarem.

Ora, se sabe que os novos casos são proporcionais ao isolamento e que hoje aparecem os contaminados da semana passada. Dizer os casos e UTI do dia assim, soltos (desinformados), convence menos do que apresentar como consequência de menos gente na rua nos dias anteriores, por exemplo. Oba! Tá funcionando, aguenta um pouco mais que já passa! Ou a má notícia de que os números são resultado de mais gente na rua 7 dias atrás.

Ficaria mais claro para mostrar que nesse caso o aumento de doentes veio da falta de isolamento naqueles dias e que sair de casa é ruim pra si, pro vizinho, que é melhor continuar em casa, ir menos no mercado, pedir menos iFood. Apresentar uma informação mais informada pode ser uma estratégia melhor para convencer as pessoas de como elas devem fazer nesses dias de tanta angústia.

Daniel Lenz

Doutorando em Urbanismo na UFRJ


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