No pós-pandemia, ficarão os bodes?

Estamos diante da pandemia do século XXI, que os brasileiros não pediram para vir para cá. Paralelo a isso, vivemos a endemia dentro da pandemia, aquela que corrói nossa capacidade de distribuir renda, de crescer e de nos desenvolvermos como grande nação: a corrupção e a falta de ética, agravando a insuficiência e a má gestão de recursos no setor de saúde.

Para a agilidade necessária para conter a pandemia, as garantias convencionais estão em grande parte abolidas (Lei n. 8.666/1993, de licitações), prevalecendo as leis de mercado e, pior do que isso, a lei da selva, de acordo com a qual oportunistas e predadores estão tendo grandes oportunidades com a longa e difícil cadeia de suprimentos e com a simples desfaçatez.

Não temos medição de dados sistemáticos de corrupção no Brasil, mas fazendo uma correlação da percepção de corrupção da Transparência Internacional com informações do National Health Service (NHS) do Reino Unido, aproximadamente 2,3% do total investido em saúde no Brasil são perdidos em fraudes. Ou seja, algo em torno de R$ 14,5 bilhões, o que daria para construir 1.400 hospitais de campanha com 200 leitos cada um ou comprar 290 mil respiradores mecânicos.

O Instituto Ética Saúde se coloca à disposição do público para registrar as ocorrências de falta de escrúpulos, falta de ética, flagrantes de desrespeito às leis, práticas de sobrepreço, lucros abusivos, desrespeito aos mínimos preceitos de qualidade, adulteração de produtos, falsificações e fraudes, entre outras práticas. As denúncias são necessariamente sigilosas, feitas pelo telefone 0800-741-0015 ou através do site www.Eticasaude.Org.Br. Vamos ajudar a tratar a pandemia e a endemia! Ética não é moda! Ética é Saúde!

Sérgio Madeira

Médico e diretor técnico do Instituto Ética Saúde


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