Incontinência verbal na política

Remonta aos tempos de Aristóteles na antiga Grécia o axioma: “Má retórica, mau político”, significando isso dizer ser impossível separar a política da retórica, esta vista como arte de persuadir e de construir o consenso político, sem simulação ou firula, com base em um saber lógico e lúcido. Em vista disso o político tem de ser convincente, claro, objetivo, pois, não agindo como tal, tende, ao falar de forma desmedida e confusa, praticar incontinência verbal, ficando sua imagem, nestes casos, como a de um ser incompetente, não talhado para o mister. 

Um político sério tem de compreender a natureza da sua profissão e conhecer, no mínimo, os segredos e as agruras da sua pretendida esfera de ação. Sem ter controle do ponto de vista contido em seu discurso, como consequência do uso excessivo de palavras para expressar algo sem importância ou sem conteúdo, muitas vezes ofensivas aos adversários, se desmoraliza vez que, não se conscientiza de que está cometendo um acintoso episódio de incontinência verbal, pouco se importando quando alguém lhe adverte que falou o que não devia.

Nesta pátria mal-amada e não idolatrada, onde muitos políticos andam de mãos dadas com a corrupção e a demagogia, existem também aqueles que se prevalecem do cargo para se autoafirmar, impondo uma postura autoritária e desrespeitosa, intimidando os que lhes criticam, através de uma verborragia perversa de submissão e domínio, típica dos que possuem uma visão distorcida da sociedade e seus concidadães. 

Existe uma frase proferida pelo ex-presidente dos Estados Unidos, Abraham Lincoln que ilustra muito bem a importância daquilo que se diz e de como se diz, para o processo de comunicação entre as pessoas: “É melhor calar e deixar que as pessoas pensem que você é um idiota do que falar e acabar com a dúvida”.


Assuntos Relacionados