Imóvel irregular: o custo invisível que compromete seu patrimônio
No Brasil, a propriedade imobiliária representa, para empresas e investidores, um ativo estratégico de alto valor. No entanto, parte significativa desse patrimônio está comprometida por um fator invisível e silencioso: a irregularidade documental. Trata-se de imóveis que, embora ocupados e funcionais, não existem formalmente nos registros oficiais — uma condição que gera prejuízos além da burocracia.
Dados do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional mostram que mais da metade dos imóveis urbanos no país, cerca de 60%, têm algum tipo de pendência documental. Isso significa que milhões de ativos não podem ser vendidos legalmente, usados como garantia de crédito ou transmitidos com segurança a novos sócios ou investidores. Poucos percebem que essa informalidade impõe custos constantes, como desvalorização de até 30%, além de riscos jurídicos e tributação indevida.
A irregularidade imobiliária é, sobretudo, uma barreira à mobilidade econômica. Impede que empresas usem seus bens como ativos estratégicos para gerar liquidez, limita acesso a crédito e dificulta incorporações, renegociações de dívida ou expansão de negócios. Em um país com tantos desafios socioeconômicos, não se pode naturalizar esse gargalo que compromete o desenvolvimento.
Muitos gestores só descobrem a real situação documental de seus imóveis quando ela se torna entrave ao crescimento ou à continuidade dos negócios. Sem registro atualizado e documentação regular, as propriedades perdem função econômica e viram passivos. O prejuízo, muitas vezes invisível no curto prazo, pode comprometer decisões, atrasar projetos e colocar em risco oportunidades de mercado. Estar em conformidade é, portanto, uma ação preventiva e essencial.
Regularizar um imóvel não deve ser algo inacessível. Com apoio técnico e uso de tecnologia e inteligência documental, é possível transformar esse processo em algo claro, ágil e seguro. Regularização não é custo — é investimento em segurança, valorização e liberdade patrimonial. Promover a formalização é garantir liquidez e futuro ao mercado imobiliário brasileiro.
Lara Praça é advogada