A falta que ela nos faz

Escrito por Gilson Barbosa ,
Jornalista
Legenda: Jornalista

Como guardião de recordações que sou, conservo em meu poder uma relíquia dos tempos de estudante que, ao meu ver, hoje em dia faz muita falta. Trata-se do pequeno livro “Curso de Educação Moral e Cívica – Volume 1”, da educadora paulista Maria Junqueira Schmidt (1901-1982), em sua segunda edição, lançada em 1970 pela Editora Agir, do Rio de Janeiro. Embora pequena no tamanho, a obra revela sua dimensão e importância por abordar, em suas 186 páginas, ensinamentos que hoje em dia, infelizmente, fazem muita falta quanto à formação dos caracteres individuais.

Entre estes, a valorização do estudo como o caminho para o desenvolvimento pessoal; o valor de um amigo; o respeito aos professores como extensões da família; a obrigação de cada indivíduo de velar pelo bem-estar da coletividade; o conceito da responsabilidade transmitida pelo pai aos filhos; o amor e o respeito à pátria; e a relação do homem com Deus, apenas para citar alguns. Intelectual católica, autora de 27 livros, Maria Junqueira tinha especial preocupação com a formação educacional e religiosa dos alunos de seu tempo, assim atuando em toda a sua carreira profissional.

As disciplinas de Educação Moral e Cívica e de Organização Social e Política Brasileira (OSPB) foram instituídas pelo decreto-lei no. 869, de 12 de setembro de 1969, durante a ditadura militar, no governo do marechal Arthur da Costa e Silva(1899-1969). Ambas, obrigatórias em todos os níveis e modalidades da educação nacional, dado o momento e o contexto histórico em que foram implantadas, comportaram grandes debates e discussões.

No caso específico da Educação Moral e Cívica, revogada dos currículos escolares em 1993, porém, muito do seu conteúdo poderia ter sido mantido pelo escopo ao qual se propunha: a formação do caráter do jovem estudante, ensinando-lhe valores, formando sua personalidade como cidadão. Hoje em dia, entristecido, vejo esse desrespeito generalizado pelos mais velhos, pelos pais, pelos professores, por parte de muitos jovens! Perdeu-se o respeito a valores essenciais! A sociedade se ressente, e muito, de uma disciplina que forje verdadeiramente bons cidadãos para o futuro. A influência das redes sociais é excessiva e, muitas vezes, extremamente prejudicial. É preciso que isto seja reavaliado, pois moral e civismo sempre serão fundamentais para o fortalecimento de uma nação realmente importante e valorosa, se assim deseja ser o Brasil um dia.

Gilson Barbosa é jornalista

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