A dor de cotovelo dos derrotados

O mundo inteiro ficou e está estarrecido com a falta de honra e decoro do presidente norte-americano Donald Trump em não reconhecer e aceitar a derrota para Joe Biden. Acham um absurdo ele ir jogar golfe; ter reuniões, jantares, encontros de negócio e não ir a público dizer: “americanos, desejo que Joe Biden possa administrar os EUA com honra e respeito, com dignidade e respeitando a vontade da maioria dos americanos”!

Se fizer isto, todos irão aplaudir e ficar felizes. Ele vai deixar o poder.

Mas, aqui no Brasil, mais de 19 mil pessoas se candidataram a prefeito neste ano, um aumento de 14% em relação aos 17,6 mil concorrentes de 2016. Somente 5.570 vagas. Em apenas 106 delas não houve disputas, uma vez que só tinha um candidato no pleito. Em 57 municípios ainda teremos disputas.

Mas, e os 5.358 eleitos? Não merecem o respeito e o reconhecimento?

Por qual motivo os derrotados, com dor de cotovelo, cabeça inchada e raiva do povo que os preteriu não têm a mesma dignidade?

A escolha do povo precisa ser respeitada.

O voto é obrigatório, e aceitar o resultado das urnas uma premissa básica em uma democracia. A vontade do eleitor deve prevalecer.

Aos vencedores, os louros da vitória; aos derrotados, que repensem suas táticas, suas propostas, suas comunicações. Aos que estavam no poder e receberam bilhete azul da população, é porque sua administração não foi das melhores.
É assim numa democracia. O povo elege, escolhe e sua maioria precisa e deve estar certa.

Pelo menos é o que espera a população que fez a escolha.

Então, derrotados, venham a público dizer: “parabéns, fulano! Cuide bem de nossa cidade. Obrigado, eleitor que acreditou em nosso projeto. Vamos continuar trabalhando pela cidade”.

Pronto! Só isto.

Não dói e é educado.

Gregório José

Jornalista e filósofo


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