A conduta moral que embeleza a vida

Escrito por
Lúcia Helena Galvão producaodiario@svm.com.br
Lúcia Helena Galvão é professora de filosofia da Organização Nova Acrópole do Brasil
Legenda: Lúcia Helena Galvão é professora de filosofia da Organização Nova Acrópole do Brasil

A vida pode ser uma obra de arte. A Filosofia nos mostra essa relação uma vez que diz respeito a todas as ferramentas civilizatórias, ajudando-as a não se perderem no tempo e no papel que têm de conduzir o ser humano ao seu melhor. Alguns comportamentos fazem com que nos orgulhemos de sermos humanos, como o respeito por tudo que nos serve; o prazer em servir; a prática de atos de integridade e dignidade; a empatia natural e capacidade de compreensão e de perdão; o prazer em embelezar o dia a dia, entre outros tantos gestos humanos.

E este é o papel da arte: fazer a ponte para o ideal de Beleza, que reconhecemos no desabrochar de uma flor, no nascer do sol, em um ato humano de generosidade. Precisamos da arte porque precisamos de harmonia. A arte educa para a percepção dela. Viemos da unidade e voltaremos conscientemente para lá quando conquistarmos nossa verdadeira identidade e nos encaixarmos no grande quebra-cabeça do universo, ou seja, quando conquistarmos harmonia.

Roger Scruton, o filósofo, falava-nos sobre um "juiz fidedigno", ou seja, uma pessoa cuja moral sólida e nobreza de sentimentos funcionariam como um termômetro infalível para avaliar a arte, pois a beleza e a harmonia que possuiria em si seria suficiente para fazer essa avaliação. Acredito que devemos ter sobretudo essa beleza interior para podermos avaliar e desfrutar da arte.

Nós percebemos que determinadas ações humanas nos impressionam como uma obra de arte. O comportamento, a dignidade, a sabedoria em cenas que, em si mesmas, não teriam nada de belo, como, por exemplo uma pessoa acidentada, mas que recebe um socorro de alguém que está fazendo o seu melhor para tirá-la daquela situação. Percebemos a beleza desse gesto, mesmo que o contexto não seja algo sublime de se apreciar. O que nos toca é a fraternidade, o auxílio que se dá ao outro, ou seja, o mundo moral também é dotado de uma beleza fora do comum.

Talvez a origem de todas as obras de arte seja a conduta humana. A pessoa centrada, aquela que tem as virtudes necessárias para que a sua vida seja considerada também uma obra de arte. Esculpir a nós mesmos, tendo como modelo o ideal humano, consiste na mais perfeita e requintada das artes, que permite o nascimento de todas as demais.

Uma obra de arte é tudo aquilo que promove harmonia e eleva consciência. A presença de certas pessoas na nossa vida, que promovem harmonia onde elas estão e elevam a nossa consciência por sua simples presença, é um exemplo disso. Esse tipo de pessoa promove beleza como se fosse, realmente, uma obra de arte.

Viver sem arte seria viver em um mundo estéril, desprovido de vida. No fundo, a arte serve à vida. Por isso, a organização Internacional Nova Acrópole dedica uma semana, todos os anos, a esta ferramenta que nos ajuda a perceber o quanto a beleza eleva, o quanto os sentimentos estéticos, junto aos éticos e místicos, são uma chamada poderosa para a elevação da nossa consciência.

Lúcia Helena Galvão é professora de filosofia da Organização Nova Acrópole do Brasil

Víctor Costa é psicólogo
Víctor Costa
04 de Abril de 2026
Professor aposentado da UFC
Gonzaga Mota
03 de Abril de 2026
Alexandre Rolim é advogado
Alexandre Rolim
01 de Abril de 2026
Valeska Bastos é promotora de Justiça
Valeska Bastos
01 de Abril de 2026
Consultor pedagógico
Davi Marreiro
31 de Março de 2026
Gregório Barbosa é fotógrafo
Gregório Barbosa
28 de Março de 2026
Professor aposentado da UFC
Gonzaga Mota
27 de Março de 2026