A agitada comissão da Covid

Legenda: Mauro Benevides é ex-deputado e ex-senador pelo Ceará
Foto: Thiago Gadelha

Os círculos políticos permanecem focados na movimentada CPI da Saúde, que já trabalha a todo vapor, no Senado Federal, com os depoimentos iniciados pelos titulares da Pasta, desde 2019, a principiar por Luiz Henrique Mandetta, aguardando-se o momento do penúltimo, Eduardo Pazzuello, pautado para prestar informações sobre a sua tumultuada gestão, acompanhada pela opinião pública, sequiosa por conhecer as justificativas técnicas de instantes angustiantes – como o caso de Manaus, ainda perdurante, sem explicações plausíveis, capazes de esclarecer o agravamento que, ali, se registrou incessantemente, gerando desgaste para o atual governo, que se esforça para elucidar, com dados, as carências humanas e de suprimentos contra tais ocorrências.

As interpelações de senadores aos arguidos eram dissecadas com objetividade, motivando trocas de farpas entre situacionistas e oposicionistas, com a mídia incumbida de analisar complexas respostas aos fatos questionados.

A enfatizada Cloroquina continua sendo comentada por sua inadequação no combate ao Covid-19, tornando-se objeto de críticas contundentes da classe política e dos profissionais de saúde.

O primeiro dos depoentes, considerado o mais preparado, despertou esmerada atenção, sendo pressionado por senadores favoráveis ao Governo, mas sempre consciente nas alegações que expendia, contestando a inaplicabilidade do citado medicamento para o correto tratamento do coronavirus.

Esperava-se, desde a passada semana, a versão do ministro da Saúde recém exonerado, que se viu apontado hostilizadamente pela imprensa, embora tente oferecer considerações que, sob o seu comando, já suscitavam increpações do meio científico, por conta da alardeada ineficácia de tal produto.

Se todos os integrantes da CPI – Base do Governo ou Oposição -, emitiram posicionamentos, o fato é que, agora, aguarda-se que o ministro Marcelo Queiroga dissipe dúvidas remanescentes e proponha novos caminhos, a fim de melhor situar o Poder Executivo nas divergências que exigem urgentes soluções.

Que se deslinde questões sombrias, sobrepairando a versão verdadeira e incontestável, com respaldo político incontroverso.

Mauro Benevides
Jornalista e senador constituinte


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