Negócios

Primeira mulher a liderar sindicato no Cariri amplia produção e exporta calçados para Oriente Médio

HG Industrial projeta elevar em até 40% o quadro de funcionários e consolidar produção mensal de 300 mil pares de calçados.

Escrito por Paloma Vargas paloma.vargas@svm.com.br
26 de Maio de 2026 - 06:00
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Legenda: Rosana Ribeiro afirma que participação em feiras é importante para prospecção de negócios e parcerias duradouras.
Foto: Paloma Vargas.

A empresa cearense HG Industrial, com sede em Juazeiro do Norte, no Ceará, possui contratos de exportação de calçados para dois parceiros nos Emirados Árabes Unidos, no Oriente Médio. 

O Grupo, liderado por Rosana Ribeiro, planeja também expandir a presença internacional, com foco, principalmente, na América do Sul.

Para suportar esse crescimento, Rosana está investindo na compra de um terreno para construção de uma nova unidade fabril na cidade de Crato, no Cariri cearense. A empresária não revelou o valor que está investindo. 

Segundo ela, a obra está na fase de obtenção das licenças para início da construção e deverá durar cerca de dois anos até a inauguração da fábrica. 

A operação migrará de uma área de 14 mil m² em Juazeiro do Norte para um terreno de 25 mil m² em Crato, com a expectativa de ampliar em até 40% o quadro atual de 250 colaboradores diretos.

"Hoje estamos com capacidade para 300 mil pares por mês, podendo ampliar. Para isso, eu só estava precisando de mais espaço e de mais energia", afirma Rosana, que já está em tratativas com a Enel para viabilizar o fornecimento elétrico na nova área.

Além da expansão da indústria, a executiva cearense vive um momento marcante na vida profissional. Ela será a primeria mulher a comandar, a partir de junho deste ano, a presidência do Sindicato das Indústrias de Calçados e Vestuário de Juazeiro do Norte e Região.

A trajetória da empresária no setor calçadista começou em 1987, quando ingressou como auxiliar de escritório em uma indústria de borracha. Hoje, ela comanda o Grupo HG Industrial — dono das marcas BeiraMar e Randbell, entre outras —, que tem duas fábricas no Cariri, uma de calçados e outra de EVA. 

Essas metas de expansão e o fortalecimento de parcerias globais foram o foco da empresária durante a BFShow, em São Paulo, realizada neste mês. Considerada a principal vitrine do setor na América Latina, a feira foi estratégica para consolidar conexões de longo prazo que garantam a sustentabilidade do negócio.

Triangulação logística

No mercado interno, embora a entrada em grandes lojistas do Ceará ainda seja um desafio, o Grupo mantém uma base sólida de clientes entre pequenos e médios varejistas, além de distribuidores estaduais.

Fora do Estado, Piauí, Maranhão e Tocantins destacam-se como mercados de forte presença.

Segundo a empresária, ocorre um "fenômeno" chamado de triangulação logística. Ela explica que redes de lojas sediadas no Centro-Oeste do Brasil compram os calçados produzidos no Cariri e os redistribuem para suas próprias filiais em Juazeiro do Norte.

"O Centro-Oeste comprou de mim e mandou para o meu vizinho", explica Rosana, evidenciando a força da marca a ponto de os produtos retornarem à cidade de origem via redes nacionais de distribuição.

Expansão produtiva e tecnologia em EVA

Além dos calçados, o Grupo HG Industrial mantém uma fábrica que gera cerca de 160 toneladas de placas de EVA mensalmente.

O material, que começou a ser produzido para abastecer a fabricação própria de calçados, atualmente é vendido para os setores náutico e da construção civil, além de tatames, artesanato e indústria de limpeza.

"Nesta ideia inicial, queríamos fazer calçados sustentáveis, com uma matéria-prima de vida útil longa. Encontramos isso no EVA, o que ajuda muito na questão do meio ambiente", pontua.

Apesar dos planos de expansão, a empresária aponta que a escassez de mão de obra qualificada e a adaptação à rotina industrial são desafios crescentes no Cariri.

"As pessoas não estão mais se acostumando a regras, e na indústria elas são essenciais. Muitos não querem trabalhar sem usar o celular, não aguentam", relata, apontando a dependência do aparelho em ambiente funcional como um obstáculo para a produtividade.

À frente do sindicato, uma das prioridades da nova presidente será a formalização de pequenos e médios produtores da região. A meta é oferecer consultoria e aproximar esses empreendedores de órgãos, como o Sebrae, para combater a clandestinidade.

Não adianta começar errado. Começar na clandestinidade é o ponto em que eu mais bato com meus colegas. Não adianta porque o negócio não se sustenta."
Rosana Ribeiro
Presidente do grupo HG Industrial

De auxiliar de escritório à liderança setorial

Após os anos iniciais como auxiliar e, posteriormente, como representante comercial, Rosana deu o pontapé na fabricação própria em 2010. Hoje, consolidada no mercado, ela prepara o filho para assumir o negócio familiar.

"O nosso início de indústria foi fruto de muito trabalho. Nós não herdamos, nós não ganhamos. Então eu gosto muito de dizer: foi conquista", revela a empresária, lembrando que sua família é construída sobre histórias de mulheres fortes, como a mãe e a avó de Rosana.

Inspirada pelo potencial do Cariri e pela visão de que "cada quintal seja uma indústria" — frase que ela atribui ao Padre Cícero —, a futura presidente quer desmistificar o medo da carga tributária entre os pequenos produtores.

"O projeto inicial é conseguir uma consultoria para que esse pequeno empresário saiba que ele pode ser grande. Eu já fui muito pequena. Comecei no Simples Nacional, alugando máquina. É importante começar, mas já trabalhando direito", reforça Rosana, que já sente o peso da nova responsabilidade.

"É um grande desafio ser representante da categoria, mas sei que os colegas vão me ajudar a fazer o sindicato da união."

*A jornalista Paloma Vargas viajou a São Paulo a convite da BFShow

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