O bairro antes associado às moradias bucólicas e às famílias tradicionais incorporou, ao caráter histórico, uma participação importante na economia de Fortaleza. Situada na região sul da cidade, Messejana é, segundo a Relação Anual de Informações Sociais (Rais) de 2012, o quinto bairro com maior intensidade comercial de Fortaleza, concentrando cerca de 538 estabelecimentos, atrás do Centro, Meireles, Aldeota e Cocó.
A efervescência econômica do bairro se inicia na Avenida Frei Cirilo, o principal acesso para a região, e tem seu ápice no perímetro compreendido entre a rua Joaquim Felício e a Avenida José Hipólito, onde as grandes magazines dividem espaço com butiques, bancas de feirantes, quiosques improvisados e o fluxo intenso de pessoas. A peculiaridade da área, segundo os próprios comerciantes, é a relação de dependência entre a feira permanente de confecções e calçados, instalada na praça do mercado, e as lojas de móveis e eletrodomésticos, espalhadas pelas ruas adjacentes.
Dependência
"Hoje, se a gente fechar as portas das lojas, os feirantes vão embora, e se a feira acabar, acaba também o movimento das lojas", atesta Francisco Fábio Ferreira, 38, gerente da Rabelo, umas das primeiras lojas que se instalou no centro do bairro. O estabelecimento emprega 60 funcionários, todos moradores das redondezas, e apura, segundo o gerente, R$ 3 milhões por mês em vendas. O pico do comércio, de acordo com Fábio, ocorre aos domingos, justamente quando a feira se expande.
"Para você ter ideia, a loja abre 7h30, fecha meio dia e meia e vende, em média, R$ 120 mil", contabiliza. Os endereços de entrega, segundo Fábio, dividem-se entre bairros como Conjunto Palmeiras, Curió, Lagoa Redonda e até municípios vizinhos, como Aquiraz e Itaitinga. "Aqui é uma região que está sempre crescendo, e ainda tem muito potencial. Só falta um shopping, para trazer pessoas dispostas a gastar mais", diz.
O movimento entre a feira e as lojas foi também fundamental para o negócio de Francisco Iran Pereira, 58, que há 20 anos deixou de ser metalúrgico e montou uma banca de revistas na rua Coronel Francisco Pereira. Pouco tempo depois, ele transferiu o ponto para a praça da feira. "Mudei na época em que reformaram a praça. De lá pra cá, o movimento cresceu muito. Messejana hoje é uma cidade", diz.
A proximidade dos bancos e a construção de vários condomínios residenciais nas regiões próximas do bairro, segundo Iran, também contribuiram para o crescimento econômico de Messejana. Na banca, além das revistas, Iran vende água, refrigerante, sorvete e bonés, enquanto a esposa, Josélia Maria Costa, 52, cuida da vitrine de cosméticos, tudo no mesmo espaço.
"Não tem mês bom, todo dia é bom", atesta Iran, que descarta qualquer possibilidade de tocar o negócio em outro bairro. Mesmo sem revelar valores, ele e a esposa garantem que o apurado é suficiente para sustentar a casa e garantir os estudos das três filhas do casal.
O comércio intenso que anima os lojistas do centro de Messejana não traz, contudo, a mesma prosperidade para o negócio de Francisco Antônio Filho, 54, e Socorro Pinheiro, 52. Comerciantes há 12 anos com ponto fixo na feira instalada na praça, o casal acredita que a chegada de outros feirantes com a oferta do mesmo produto foi a principal causa da queda nas vendas.
"Tem dia que a gente não apura R$ 50, porque tá cheio de fabricante com boxe aqui dentro, vendendo bem mais barato", explica Socorro. (JC)
A movimentação econômica da avenida foi responsável por alavancar a loja de calçados de Genilza de Sousa Santana FOTO: FERNANDA SIEBRA
Mozart Lucena hoje é centro de compras da Barra do CE
A distância de centros comerciais, que para muitos poderia representar uma desvantagem, foi o que impulsionou o início de novos negócios para alguns comerciantes do bairro Vila Velha, na zona oeste da Capital. Foi assim com Vânia Duarte, 50, que motivada pela vontade de crescer, como ela mesma descreve, abriu, há 21 anos, um armarinho na Avenida Mozart Pinheiro de Lucena, via que corta toda a extensão do bairro. "As pessoas tinham a ideia de que tudo no Centro era mais em conta, e eu quis passar a imagem de que comprando na minha loja os preços poderiam ser iguais ou menores que os de lá", lembra.
O armarinho, que vendia basicamente embalagens descartáveis, expandiu em tamanho e variedade de produtos, até tomar o porte de duas lojas - uma especializada em utilidades para o lar e outra de artigos para festas, decoração e brinquedos. "Quem trabalha com loja em bairro tem que ter um pouco de cada coisa para se manter, e eu estou sempre buscando novidades", explica a comerciante.
Empregando atualmente 22 funcionários, as lojas de Vânia foram responsáveis, na visão de alguns comerciantes da área, por atrair lojistas de diversos segmentos para a região, transformando a Mozart Pinheiro de Lucena, antes povoada de residências antigas, em centro comercial que atende parte da grande Barra do Ceará. O pioneirismo da comerciante foi seguido pela iniciativa de Maria Albaniza Silva dos Santos, dona de uma loja de material de construção.
A ideia de abrir o negócio, segundo a comerciante, surgiu ainda quando ela e o marido moravam em São Paulo. "Fomos reformar uma casa e, como a gente tinha pouco dinheiro, passamos cinco anos tentando concluir. De tanto conviver com material de construção, a gente se apegou aos produtos e resolvemos colocar um comércio com isso", lembra. O projeto só deu certo quando ela voltou para Fortaleza, há 15 anos. Inicialmente instalado no Jardim Iracema, o depósito não trouxe lucros devido ao movimento fraco do bairro. "Nos disseram que essa avenida era boa, e nós viemos pra cá. Da lojinha pequena, se transformou nisso aqui, graças a Deus", diz, referindo-se ao depósito que conta, hoje, com três pavimentos para estocar mercadorias, além dos terrenos vizinhos que ela pretende incluir no patrimônio. Com experiência na área, Albaniza afirma que foi uma das responsáveis pelas mudanças no comércio da avenida.
Mozart Lucena hoje é centro de compras da Barra do CE
A distância de centros comerciais, que para muitos poderia representar uma desvantagem, foi o que impulsionou o início de novos negócios para alguns comerciantes do bairro Vila Velha, na zona oeste da Capital. Foi assim com Vânia Duarte, 50, que motivada pela vontade de crescer, como ela mesma descreve, abriu, há 21 anos, um armarinho na Avenida Mozart Pinheiro de Lucena, via que corta toda a extensão do bairro. "As pessoas tinham a ideia de que tudo no Centro era mais em conta, e eu quis passar a imagem de que comprando na minha loja os preços poderiam ser iguais ou menores que os de lá", lembra.
O armarinho, que vendia basicamente embalagens descartáveis, expandiu em tamanho e variedade de produtos, até tomar o porte de duas lojas - uma especializada em utilidades para o lar e outra de artigos para festas, decoração e brinquedos. "Quem trabalha com loja em bairro tem que ter um pouco de cada coisa para se manter, e eu estou sempre buscando novidades", explica a comerciante.
Empregando atualmente 22 funcionários, as lojas de Vânia foram responsáveis, na visão de alguns comerciantes da área, por atrair lojistas de diversos segmentos para a região, transformando a Mozart Pinheiro de Lucena, antes povoada de residências antigas, em centro comercial que atende parte da grande Barra do Ceará. O pioneirismo da comerciante foi seguido pela iniciativa de Maria Albaniza Silva dos Santos, dona de uma loja de material de construção.
A ideia de abrir o negócio, segundo a comerciante, surgiu ainda quando ela e o marido moravam em São Paulo. "Fomos reformar uma casa e, como a gente tinha pouco dinheiro, passamos cinco anos tentando concluir. De tanto conviver com material de construção, a gente se apegou aos produtos e resolvemos colocar um comércio com isso", lembra. O projeto só deu certo quando ela voltou para Fortaleza, há 15 anos. Inicialmente instalado no Jardim Iracema, o depósito não trouxe lucros devido ao movimento fraco do bairro. "Nos disseram que essa avenida era boa, e nós viemos pra cá. Da lojinha pequena, se transformou nisso aqui, graças a Deus", diz, referindo-se ao depósito que conta, hoje, com três pavimentos para estocar mercadorias, além dos terrenos vizinhos que ela pretende incluir no patrimônio. Com experiência na área, Albaniza afirma que foi uma das responsáveis pelas mudanças no comércio da avenida.
Influência
"Quando cheguei aqui, as lojas fechavam na hora do almoço. Como eu estava acostumada com a vida corrida de São Paulo, era a única que deixava a loja aberta, e assim os outros foram fazendo", conta. O funcionamento do comércio da região aos domingos, segundo Albaniza, também foi influência de sua loja. "Essa avenida é muito boa de comércio, eu adoro isso aqui", declara.
A movimentação econômica da Mozart Lucena foi responsável por alavancar o negócio de Genilza de Sousa Santana, 45, que mantém uma loja de calçados na avenida há dois anos. "Quando transferi meu ponto pra cá foi que o sol clareou, posso dizer que tudo começou aqui", define. Antes de mudar de sede, Genilza tinha uma loja de importados na Avenida Coronel Carvalho, via que percorre parte da grande Barra do Ceará, mas onde, segundo ela, o movimento era fraco. "Apareceu esse ponto aqui, que era de um rapaz que vendia calçados há seis anos. Eu trouxe meus produtos, mas as pessoas só procuravam calçados, então, fui mudando minha mercadoria e deu certo", conta a comerciante. (JC)
"Quando cheguei aqui, as lojas fechavam na hora do almoço. Como eu estava acostumada com a vida corrida de São Paulo, era a única que deixava a loja aberta, e assim os outros foram fazendo", conta. O funcionamento do comércio da região aos domingos, segundo Albaniza, também foi influência de sua loja. "Essa avenida é muito boa de comércio, eu adoro isso aqui", declara.
A movimentação econômica da Mozart Lucena foi responsável por alavancar o negócio de Genilza de Sousa Santana, 45, que mantém uma loja de calçados na avenida há dois anos. "Quando transferi meu ponto pra cá foi que o sol clareou, posso dizer que tudo começou aqui", define. Antes de mudar de sede, Genilza tinha uma loja de importados na Avenida Coronel Carvalho, via que percorre parte da grande Barra do Ceará, mas onde, segundo ela, o movimento era fraco. "Apareceu esse ponto aqui, que era de um rapaz que vendia calçados há seis anos. Eu trouxe meus produtos, mas as pessoas só procuravam calçados, então, fui mudando minha mercadoria e deu certo", conta a comerciante. (JC)
Diversificar tem sido fundamental
Mesmo provida de lojas que englobam diversos segmentos, a Avenida Mozart Pinheiro de Lucena, no bairro Vila Velha, chama a atenção pela quantidade de pequenas lojas de confecção, cujos manequins são expostos principalmente nas calçadas. Concorrer em meio a esse comércio não é uma tarefa fácil, mas tem dado certo para Conceição Almeida, 48, que administra uma loja na avenida há mais ou menos cinco anos.
"Comecei vendendo só brinquedo, aí não deu certo, tive que mudar. Hoje tem roupa, brinquedo, sandalinha, artigos esportivos, brinquedo, umas bugingangas, como se diz no popular", brinca. Apesar de exibir roupas na vitrine, é a venda de cestas personalizadas que diferencia a loja de Conceição. "Tem que usar sempre a criatividade, por que se você vender sempre a mesma coisa, vem outra pessoa e bota o mesmo artigo pela metade do preço", complementa.
Com o apurado da loja, segundo a comerciante, é possível cobrir as despesas e pagar os fornecedores. "A gente trabalhando dá pra sobreviver", conclui. Mesmo com um fluxo bom clientes, trabalhar na Mozart Lucena tem algumas desvantagens, a começar pelo alto preço do aluguel, segundo Conceição. "Inflacionou demais, virou um verdadeiro cartel de aluguéis, e o preço é um roubo", relata.
Outra dificuldade, de acordo com a comerciante, é competir com alguns vendedores sazonais, que há cerca de três anos vêm ocupando o meio fio da avenida em épocas como datas comemorativas, e montam uma verdadeira feira de confecções a baixo custo. "A gente paga todos os impostos, e quando é na época de ganhar dinheiro, que a gente compra mais mercadoria, eles chegam. Não sobra espaço na avenida, e não tem nenhum tipo de fiscalização", lamenta. (JC)
Retorno
“Aqui é uma região que está sempre crescendo, e ainda tem muito potencial. Só falta um shopping, para trazer mais pessoas”
FRANCISCO FÁBIO FERREIRA
Gerente da Rabelo de Messejana
“Mudei na época em que reformaram a praça. De lá pra cá, o movimento cresceu muito. Não tem mês bom, todo dia ébom”
FRANCISCO IRAN PEREIRA
Comerciante