'Situação não desesperadora', detalha João Paulo Silva sobre momento financeiro do Ceará
Presidente do Ceará explica déficit de mais de R$ 85 milhões, cita impacto do rebaixamento e reafirma confiança na recuperação financeira do clube
Em coletiva de imprensa concedida nesta sexta-feira (8), o presidente do Ceará, João Paulo Silva, explicou a situação financeira do clube ao detalhar o boletim financeiro divulgado pela diretoria. As operações alvinegras fecharam com o maior déficit da história da instituição, ultrapassando a marca de R$ 85 milhões.
A coletiva foi convocada pelo próprio dirigente após fortes críticas da torcida alvinegra e do posicionamento de um grupo de conselheiros, que protocolou um pedido de impeachment junto ao Conselho Deliberativo do clube.
Motivos para o déficit
O mandatário alvinegro explicou os motivos para o déficit elevado. Segundo ele, o montante está ligado a juros, rescisões contratuais e premiações. O dirigente também ressaltou que parte desse passivo já foi quitado.
“Com relação a esse valor de R$ 85 milhões contraído em 2025, eu posso explicar. Na verdade, nós pagamos R$ 20 milhões em 2025 referentes a 2024. Houve uma negociação da liga em 2024, não em 2025, em que alguns clubes fizeram uma renegociação. O Ceará não vendeu os R$ 20 milhões que estavam aprovados. Então, ficou uma necessidade de aproximadamente R$ 30 milhões para 2025, que era o nosso valor inicial. A diferença disso veio de rescisões. Tivemos cerca de R$ 10 milhões em rescisões no ano de 2025 e mais R$ 15 milhões em premiações. Parte dessa premiação foi referente ao acesso de 2024 e o restante já de 2025. Então, tivemos essa necessidade de contrair esse valor. Vale destacar que tudo isso tem como base o dia 31 de dezembro de 2025. Inclusive, já quitamos parte desses empréstimos.” afirmou João Paulo Silva
Perda de receita
Com o rebaixamento, o cenário financeiro mudou devido à queda de receitas causada pela disputa da Série B. O clube teve uma redução de aproximadamente R$ 130 milhões em faturamento para 2026.
Diante desse cenário, empréstimos precisaram ser replanejados e ajustes financeiros foram adotados, com redução de despesas. O presidente demonstrou tranquilidade ao falar sobre a credibilidade do clube no mercado.
“Boa parte desse empréstimo feito em 2025 precisou ser replanejada em função do rebaixamento. O clube, somente pela queda para a Série B, teve uma redução de aproximadamente R$ 130 milhões em receitas para 2026. Estamos fazendo um plano de ajuste junto ao setor financeiro. Precisamos reduzir despesas e transmitir tranquilidade ao mercado financeiro. O Ceará vem ajustando isso. Hoje, o clube não vive uma situação desesperadora no sentido de perder credibilidade. As pessoas compreendem o momento do clube justamente pelo impacto do rebaixamento e pela perda de receitas.”destacou o presidente
SAF alvinegra?
O dirigente voltou a rejeitar o modelo de SAF (Sociedade Anônima do Futebol). Há três anos na presidência do clube, João Paulo Silva afirmou que nunca se reuniu com investidores para discutir o assunto. A negativa, segundo ele, passa pela autossuficiência financeira e pelos ativos do clube, além da relevância das categorias de base.
“Nos três anos em que estou à frente do clube, nunca sentei com nenhum investidor ou advogado para tratar de SAF. Sempre digo que, se um dia pensar nisso, primeiro precisarei conversar com o Conselho Deliberativo, marcar uma reunião e explicar o entendimento da diretoria. Eu não vejo essa necessidade hoje. O Ceará é um clube que possui ativos importantes. A nossa base, por exemplo, vem crescendo muito e revelando atletas. Portanto, não vejo necessidade de SAF e, como falei, nunca tratei desse assunto com ninguém.” detalhou o mandatário
Abismo entre as divisões
A diferença de arrecadação entre Série A e Série B foi destacada pelo presidente. O Ceará viveu o processo de acesso e rebaixamento em um curto espaço de tempo e sente atualmente o impacto financeiro de disputar a segunda divisão.
“Independentemente de qualquer situação, o Ceará precisa voltar para a Série A, porque é o lugar do clube. Existe uma diferença muito grande de receitas entre as divisões. Eu questiono isso há muitos anos, porque os clubes que sobem e caem rapidamente acabam sofrendo muito financeiramente. Infelizmente, tivemos dois rebaixamentos em três anos, um período muito curto. Dentro do nosso planejamento, trabalhávamos com a permanência na Série A em 2026 justamente para reduzir o passivo do clube. Essa permanência era importante porque a Série A concentra as maiores receitas, algo totalmente diferente da Série B. Também existe a questão do tamanho do Ceará e da força da nossa torcida. O clube precisa estar inserido nessa competição.” finalizou