Símbolo do Ceará aguerrido e resiliente, Dieguinho crava: 'Melhor momento da carreira'

Volante lembra início difícil de carreira e percalços até chegar ao Ceará na elite do futebol brasileiro

Escrito por
Vladimir Marques vladimir.marques@svm.com.br
Legenda: Dieguinho é titular absoluto do Ceará e peça chave no esquema de jogo de Léo Condé
Foto: KID JUNIOR / SVM

Para 2025, o Ceará planejou montar um elenco com perfil aguerrido, com mental forte e moldado para jogar ao estilo de Léo Condé. E o volante Dieguinho, é um dos símbolos deste time do Vovô aguerrido, operário e resiliente. Ele concedeu entrevista ao Diário do Nordeste em Porangabuçu, para falar um pouco sobre a trajetória de carreira, relação com a torcida alvingra e o momento no Ceará na Série A do Campeonato Brasileiro.

Motorzinho no meio campo do Ceará, Dieguinho é carinhosamente chamado pela torcida alvinegra de "Makelele do Nordeste", "Kanté do Nordeste", em alusão ao estilo de jogo dele, semelhante aos dos dois volantes franceses, de muita marcação e ocupando uma larga faixa do campo de jogo.

Melhor momento da carreira

Legenda: Dieguinho diz viver seu melhor momento na carreira no Ceará
Foto: KID JUNIOR / SVM

Dieguinho tem 40 jogos na temporada pelo Ceará, o segundo que mais jogou e com mais minutos em campo (3.130). Ele é o líder do time em bolas recuperadas por jogo (5), cortes (1,9) e desarmes por jogo (1,9).

Por estes números e atuações sólidas com a camisa do Vovô, o jogador considera o melhor ano da carreira. Ele já disputou a Série A outras vezes pelo Goiás (duas), mas pelo Ceará, ele elevou o nível.

Dieguinho considera este o seu melhor momento na carreira devido à consistência de jogar em uma única posição, a de volante, por um longo período. Ele compara com 2022, ano em que também teve bons números (cinco assistências, dois gols), mas atuava em múltiplas posições como volante, lateral e ponta, o que impedia a consistência em uma única função.

"Eu considero sim o meu melhor momento pela consistência. De estar jogando em uma posição só. E você jogando em uma posição só durante muito tempo, você acaba tendo uma consistência ali naquela posição, tendo números relevantes ali naquela posição. Eu já joguei dois campeonatos de Série A pelo Goiás e comparo muito com 2022 quando eu tive um ano muito bom, com cinco assistências, dois gols e só que eu não joguei muito por uma posição só. Eu intercalava muito jogar de volante, jogava de lateral, ponta. Então os números muitas vezes eram de posição, outro número na outra, então não tinha aquela consistência. Então considero muito ser um bom ano para mim por conta da consistência, né? E eu creio que será o melhor ano quando a gente atingir o principal objetivo do clube, porque eu não quero que seja só o melhor ano do Dieguinho, eu quero que seja o melhor ano como um todo".

Mesmo destacando que vive o melhor momento da carreira, Dieguinho não esquece a dificuldade que passou para chegar até uma Série A, em um time de massa como o Ceará. Ele destacou que passou por 10 testes, as chamadas 'peneiras', até finalmente ter uma chance no futebol.

Ele passou por muitos times de menor investimento no Rio de Janeiro (sua cidade natal) e fez muitos testes (cerca de 10 clubes) sem sucesso. Aos 20 ou 21 anos, ele decidiu parar de jogar e se tornou barbeiro. Foi quando finalmente, aos  22 anos, recebeu sua primeira oportunidade profissional no Barcelona do Rio (da segunda divisão), convidado por um amigo. De lá, passou por Resende, Friburguense, Portuguesa (todos no Rio), Boa Esporte (Minas Gerais), e depois para o Goiás. Ele jogou três Séries B do Campeonato Carioca, Série D (2019), Série C (2020), Série B (2021) e Série A (2022), escalando "degrau por degrau".

"Todo o início é muito difícil. É claro que estar no Ceará hoje, na Série A e se manter é muito difícil, né? As pessoas costumam dizer que se manter é muito mais difícil do que chegar, né? Mas chegar também é muito difícil. E eu acho que a maior dificuldade foi no início. Eu passei por muitos times de menor investimento, do Rio de Janeiro e fiz muito teste, cara, na minha carreira. Muito teste mesmo. Acho que eu cheguei a fazer uns testes em 10 clubes, mais ou menos, e nunca tive sucesso. Então, teve um momento da minha carreira que eu decidi parar, foi com 21 anos, 20 para 21 anos, comecei a cortar cabelo, virei barbeiro e tudo mais, né? E com 22 anos eu recebi minha primeira oportunidade na equipe profissional que foi no Barcelona do Rio, na segunda na segunda divisão, que eu recebi a ligação de um amigo meu que eu tinha trabalhado com ele já em outro lugar, que foi o Queiroz. Ele me ligou, me convidou para ir pro Barcelona e tudo aconteceu. Do Barcelona fui pro Rezende, depois Friburguense, Portuguesa, tudo ali do Rio, depois Boa Esporte/MG até chegar ao Goiás e agora o Ceará. Tudo muito difícil, cara, o início, né? Eu joguei três Série B de Campeonato Carioca. Eu joguei a Série D 2019, a série C 2020, a Série B em 2021 e depois em 22 a Série A. Fui escalando, degrau por degrau. Mas hoje, graças a Deus, eu pude já jogar três Série A do Brasileiro. E hoje eu tô numa grande equipe que é o Ceará, que tem uma grande torcida, né? Que tem uma camisa muito pesada e eu tô muito feliz de estar aqui. Agradeço muito a Deus por essa oportunidade. Acho que esse é o segredo, persistir, cara."

 

Mérito de Condé

Legenda: Léo Condé comanda o Ceará na Série A
Foto: KID JUNIOR / SVM

Vivendo o melhor momento da carreira, Dieguinho é uma peça chave para que o esquema tático de Léo Condé funcione, pela sustentação defensiva que ele dá.  Desde o início da temporada, o Vozão mantém um padrão defensivo.

Em 40 jogos na temporada, o Vozão sofreu apenas 36 gols. Na Série A, são 21 jogos e 20 gols sofridos, a 5ª melhor defesa entre os 20 participantes.

O camisa 20 do Vovô exaltou abnegação e entrega do elenco, dando mérito ao técnico Léo Condé.

"Cara, isso é muito mérito do Léo Condé. Ele é um cara que tem o trabalho dele é muito simples e você consegue ter entendimento daquilo que ele quer muito rápido. Até porque ele passa o conteúdo para todos. Ele deixa bem claro aquilo que ele quer. Então, se a equipe for uma equipe que abraça, aquilo que o treinador tá pedindo, aquilo que ele realmente quer e colocar em prática isso tem acontecido. Então, eu acho que é um mérito muito do Léo do trabalho dele, de ser sólido de defensivamente e tudo mais, um trabalho bem compacto, uma equipe bem compacta, uma equipe aguerrida, guerreira, que trabalha todo mundo em conjunto, né, se você for ver, todo mundo corre, do goleiro até o Pedro Raul, né? Muitas vezes o Pedro Raul corre para caramba no jogo. Até quando não é para ele correr, mas é a característica a identidade da equipe, né? Então, isso é muito mérito do Léo e a gente dá todo mérito a ele por isso aí e a gente quer seguir melhorando para poder conquistar as vitórias aí nosso objetivo".

Foco no coletivo

Legenda: Dieguinho exaltou o trabalho de Léo Condé e do elenco na temporada 2025
Foto: KID JUNIOR / SVM

Os números de Dieguinho no Ceará são indiscutíveis, mas ele não consegue pensar no desempenho individual antes dos objetivos do clube. Ou seja, ele espera que o Ceará conquiste o objetivo de se manter na Série A do Campeonato Brasileiro. Com 26 pontos em 21 rodadas, o Vovô faz uma campanha sólida, mas que ainda requer cuidados, por estar apenas 4 pontos de vantagem para o Z4.

"Segue sempre o mesmo objetivo, né. O objetivo inicial que é manter o clube na Série A. Todo clube que sobe da Série B para Série A, o primeiro objetivo dele tem que ser de permanência. Enquanto a gente não atingir os pontos ali, que vai manter a gente matematicamente na Série A, não podemos pensar em outra coisa. Depois que a gente atingir esses pontos, a gente pode pensar aí em outras coisas e pode ver o que que Deus reserva. Mas o principal objetivo hoje será continua sendo o de sempre, que é atingir o principal objetivo, que é os 45 pontos, manter o time na série A do Campeonato Brasileiro ano que vem".

Relação com a torcida

Legenda: Dieguinho elogiou a torcida alvinegra pelo apoio ao time na temporada
Foto: KID JUNIOR / SVM

Com atuações tão sólidas, foi natural Dieguinho cair nas graças da torcida do Ceará. E os apelidos não demoraram para aparecer. Ele citou alguns e considera como reconhecimento do trabalho: "pulmão alvinegro", "pulmão do meio de campo", "Makelele do Nordeste", "Kanté do Nordeste" são apelidos que ele recebeu da torcida alvinegra.

"O torcedor me encontra na rua e muitas vezes brinca, né? O pulmão do do meio de campo e tudo mais. Kanté do Nordeste, Makelele do do nordeste. No Goiás, eu era o Kanté do Serrado. E aqui ficou, foi ficando mais forte, né? Eu fico feliz, cara. Fico feliz porque é o reconhecimento do seu trabalho, né, cara? É a torcida vendo que você tá se empenhando, que você tá dando o seu máximo, tá dando o seu melhor. E isso é muito importante pra gente como atleta, o reconhecimento do trabalho".

E a inspiração na carreira? Vem destes jogadores, Kanté ou Makelelé, ou de outro jogador? O volante do Vozão cita um meio-campista que jogou na Seleção Brasileira e também era sinônimo de entrega, dedicação e muita força física: Zé Roberto.

"Cara, dos mais antigos assim, eu tenho 30 anos, que eu acompanhei, eu gostava muito de Zé Roberto. Ele era canhoto, parou com 40 e poucos. Eu gostava muito do Zé Roberto. Até por por ser um cara também versátil. Um cara versátil, um cara muito trabalhador, um cara muito centrado e concentrado. Então eu gostava muito do Zé Roberto, da forma que ele atuava, de atuava de volante, atuava de lateral, meio-campo. Então o Zé Roberto, assim foi um cara que sempre me inspirou e me inspira até hoje".

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