Parceria, amor e desafios: tutor e cadela correm meia maratona em Fortaleza

Ayla é uma border collie de sete anos que é parte da família de Davi

Escrito por
Crisneive Silveira crisneive.silveira@svm.com.br
(Atualizado às 09:10)
Legenda: Davi e Ayla durante treino na Beira-Mar.
Foto: Arquivo Pessoal

Ayla fez sua escolha. Foi assim que ela entrou na vida de Davi Barbosa. O administrador lembra como a chegada da cachorrinha encheu a rotina dele de mais amor e companheirismo. Tão grudados que cruzaram mais um caminho de vitória. Numa aventura de quem só vive o carinho entre pet e tutor, os dois correram juntos os 21km da Maratona de Fortaleza. O objetivo inédito foi superado pela dupla, que viveu outros desafios.

“Sempre tive vontade de ter um border collie. Então, fui pesquisar mais sobre a raça e me apaixonei. Para poder criar bem, precisa de tempo, carinho e de recursos financeiros. Agi por impulso, isso acontece em alguns momentos da minha  vida. Quando a conheci, ela veio até mim. Ela me escolheu”, afirmou o tutor. 

“Minha mãe sempre falava que não queria saber de cachorro em casa. Cheguei com ela filhotinha, nos braços. Aí ela se apegou demais à cachorra. Ela ia para o quarto da mamãe e ficavam as duas conversando, caducando”, completou.

Ayla é um nome de origem turca e significa brilho da lua. Faz todo sentido para ela, que tem o pelo nas cores branca e preta. Tão amorosa que nasceu com um coração desenhado na testa. De rabinho abanando, desfila beleza e carinho por onde passa. 

cachorra e corredor
Legenda: Ayla e Davi são companheiros inseparáveis.
Foto: Arquivo Pessoal

CORRIDAS

Davi corre há mais de 15 anos. Depois de um tempo distante da atividade, viu em Ayla um motivo para retornar. A cadela o acompanha nas atividades desde os seis meses. Durante a pandemia, ela passou a participar da atividade na Beira-Mar sem o uso da guia.

“Ela já estava muito bem treinada, sempre em sintonia comigo. Seja na praia ou na academia. Sempre que dá, eu a levo. Nessa época, eu corria uma média de 6 a 8 km. Ela sempre adorou correr. A veterinária dizia que a raça aguentava. Na época, ela realmente corria mais do que eu. Já eu não estava tão condicionado”, brincou. 

“Então, me preparei melhor e consegui correr 10, 12 km. Quando fiz 18 km sem parar, sem beber água, sem nada... Ela também se sentiu super bem. Nesse dia, o clima estava ameno. Pensei: se não fizer sol, a gente consegue fazer meia maratona. Outro dia, a gente correu 21km. Era só seguir nos treinos. E eu nunca tinha corrido prova de 21km. Então, foi a primeira meia maratona minha e dela oficial”, comemorou Davi. 

cachorro e corredor
Legenda: Davi e Ayla na corrida dos 21km da Maratona de Fortaleza.
Foto: Rômulo Américo

MARATONA DE FORTALEZA

A 1ª Maratona de Fortaleza foi realizada no dia 12 de abril em homenagem aos 300 anos da capital cearense. Além da distância de 42km, foram realizadas provas de 21km, 10km e 5km. Dez mil corredores participaram do evento que foi realizado na Avenida Beira-Mar. A border collie cruzou a linha de chegada ao lado do tutor.

Ayla quase não participou da corrida. A cachorrinha adoeceu. Não era a primeira vez. Chegou a ser precocemente diagnosticada com câncer anos atrás. Davi então foi até Canindé pedir que São Francisco intercedesse por ela. Fez promessa. A biópsia veio negativa. Uma benção. 

“Ela já está com sete anos. Fiquei com medo dela não conseguir correr, mas estava satisfeito porque eu queria a saúde dela. Até a véspera da prova, a gente não tinha feito treinão. Já tinha na minha cabeça que, se fizesse sol quente, ela não ia conseguir terminar. Mas São Francisco abençoou e estava um clima de chuva. E foi maravilhoso”, destacou..

“Eu nunca movimentei tanto o Instagram dela, mas vimos algumas pessoas comentando. Tem gente que motiva. Foi uma energia muito bacana na maratona. A gente vê pessoas que você nem conhece te apoiando. Às vezes ela puxa e corre na minha frente”, brincou.

“Na linha de chegada tinha muita gente. Foi muita emoção. No último km, na meia maratona, foi justamente nosso treino mais rápido. Um ficou puxando o outro. Foi muito legal. Depois da última curva, aí é que tinha gente mesmo. Muitas crianças também começaram a gritar e motivar ainda mais”, completou. 

Ayla é o brilho da lua, mas também é brilho na vida de Davi. Além de parceira de corrida, é parte importante para ele no apoio emocional. Além disso, a ideia é levar a cadela para alguma corrida fora do Ceará.

“Ela é companheirismo, carinho, muito amor. Minha namorada tinha medo de cachorro. Ela perdeu o medo. Se Deus quiser, vamos tentar alguma prova fora. Tenho ansiedade e TDAH, e ela me ajuda nesse lado emocional. Às vezes as pessoas não entendem o carinho, a sintonia que se cria com um olhar. Quando tinha minhas crises, ela vinha para perto de mim. Passei por momentos difíceis psicologicamente, ela me acalmava. É uma energia sem explicação”, reforçou o corredor. 

“Aquela coisa de que o cachorro é espelho do dono veio em alto grau. Foi uma ótima surpresa na minha vida. É um ensinamento para quando eu for pai. Os planos são noivar, construir uma família e pode ter certeza que o ensinamento que ela me passou vai ser repassado aos meus filhos”, finalizou.

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Legenda: Ayla em Canindé, perto de São Francisco.
Foto: Arquivo Pessoal

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