Maratona de Fortaleza: corredor perde sola do tênis e termina prova de 42 km quase descalço

Evento reuniu 10 mil atletas de todo o Brasil e de várias partes do mundo

Escrito por
Crisneive Silveira crisneive.silveira@svm.com.br
Legenda: Adriano Pereira ficou sem as solas dos tênis no km 12 da Maratona de Fortaleza.
Foto: Fico Radical

A 1ª Maratona de Fortaleza terminou, mas as histórias de quem participou dela continuam. Dar o primeiro passo e cruzar a linha de chegada é muito mais que cumprir um objetivo, é dar um novo significado a todo o esforço e a toda luta empregada. Foi assim com Adriano Pereira. A sola do tênis do recifense descolou ainda no quilômetro 12 da prova realizada no último domingo (12), na capital cearense. E, assim, ele precisou improvisar e terminou a prova praticamente descalço.

Adriano é experiente em maratonas. A prova em Fortaleza foi a de número 159. No entanto, correr cerca de 30km com os pés protegidos apenas pelas meias era uma situação inédita para ele. 

“O pé está doendo para caramba, mas faz parte. Vou levando enquanto der. Quando não der, a gente caminha. E não deixa de concluir a maratona. Já corri maratona de todo jeito, essa é a minha 159 mas, descalço, é a minha primeira”, afirmou o corredor enquanto gravava o momento em vídeo. 

A Maratona de Fortaleza reuniu 10 mil participantes para celebrar o aniversário da cidade. Três mil deles participaram do percurso de 42 km. Corredores de todo o Brasil, além de vários países do mundo, participaram da competição que também teve as distâncias de 5km, 10km e 21km. 

sapatilha
Legenda: Assim ficou o par de tênis de Adriano Pereira após a Maratona de Fortaleza.
Foto: Arquivo Pessoal

Cadê a sola? 

Adriano Pereira, que é médico, relembra o momento em que perdeu a sola do tênis. Isso ocorreu nos 12 km da prova, cerca de uma hora depois da largada. Ele conta que começou bem a corrida, mantendo uma boa velocidade. 

“Sou acostumado a correr sob chuva. Mas acho que, por causa da água, o tênis descolou o solado. E não era um tênis muito usado, uns 100 km. Tenho tênis de 1000 km, nunca tive problema de descolar. Quando levantei o pé direito, vi que tinha soltado. E como o solado desses tênis são um pouco altos, você não consegue correr se uma solta. Então, arranquei o outro lado. Só ia conseguir correr se fosse com o pé direto no chão. Corri só com aquele tecido que recobre o tênis. Fica como uma sapatilha de balé. Pensei: vou devagarzinho e ver se aguento correr. Diminuí a velocidade, ainda tinha 30 km à frente”, descreveu. 

Apesar da experiência em maratonas e ultramaratonas, a situação era inusitada para Adriano. Em nove anos dedicados à modalidade, nunca aconteceu dele correr sem as solas dos tênis. Então, decidiu tentar fazer isso pelo menos por um ou dois quilômetros. 

“Vou devagar. Como a sapatilha está cobrindo por baixo, talvez seja melhor. Mas a sapatilha começou a soltar, a abrir toda. E o povo me passando. Estava devagar porque não aguentava correr. Muita gente viu meu solado, porque joguei na beira da pista. Depois, a sapatilha abriu toda. Estava encostando os pés no chão, comecei a pisar numas pedras pequenas. Aí considerei que talvez não fosse aguentar fazer. Isso com uns 10km já correndo sem o tênis”, pontuou. 

Determinação

No momento de maior dificuldade durante a prova, precisou de grande força mental para avaliar a situação e ver qual seria a melhor possibilidade. Cada passo a mais, era uma distância a menos. 

“Caminhava um pouco e corria um pouco. E isso foi me levando cada vez mais perto. Tem uma parte do percurso de paralelepípedos. Os pés já estavam tão dormentes, que fui indo. E os pés doendo. Mas enquanto a dor aumentava, a quilometragem ia diminuindo. Assim ia criando mais coragem para continuar. No final, peguei a meia, dobrei ao contrário e coloquei por cima do pé”, recordou. 

“Você sente tudo como se estivesse descalço. Fui até que cheguei ao final. A partir do momento que eu parei, meu pé ficou insuportavelmente dolorido. Há dois dias ponho gelo, tomo anti inflamatório. Quem corre descalço não corre maratona. E os que correm, geralmente passam por adaptação. Fui sem preparo nenhum. Meti a cara e fiz. Não fez calo. Só ficou bem dolorido por causa do impacto. Corro muitas provas, semana que vem já tenho outra. E estou tratando para ver se aguento fazer a próxima direito”, completou. 

Adriano Pereira deu passadas por várias partes do mundo. Já esteve em países como Argentina, Espanha, Tailândia, além dos deserto do Saara e do Atacama. Ele registra as aventuras no esporte em um canal de YouTube chamado Doutor Corrida. Apesar do contratempo na Maratona de Fortaleza, ele já está pronto para a próxima edição. 

"Espero não precisar mais (correr descalço). Mas quero voltar para a Maratona de Fortaleza ano que vem, para completar bem a prova, pois tive que encerrar com um tempo muito longo", finalizou.

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Legenda: Adriano Pereira correu a 1ª Maratona de Fortaleza sem as solas dos tênis.
Foto: Fico Radical

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