Novak Djokovic volta a ser detido na Austrália por não estar vacinado contra a Covid-19

Governo local diz que conduta do atleta de 34 anos pode aumentar a adesão ao movimento antivacinas

tenista Djokovic preso
Legenda: Tenista teve o visto cancelado pela segunda vez
Foto: Greg Wood/AFP

A dois dias do início do Aberto da Austrália, o número um do tênis mundial, Novak Djokovic, de 34 anos, foi detido novamente em Melbourne neste sábado (15), noite de sexta no Brasil, enquanto a justiça examina sua deportação por não ter se vacinado contra a Covid-19.

O governo australiano cancelou nessa sexta (14), pela segunda vez, o visto do tenista sérvio, mas não o expulsou imediatamente à espera de que a justiça se pronuncie sobre o recurso apresentado pelos advogados do jogador.

Segundo a documentação apresentada na justiça, as autoridades australianas argumentam que a presença de Djokovic "pode incentivar o sentimento antivacinas" e, por isso, pediram sua expulsão.

O caso está nas mãos da justiça federal australiana, depois que o juiz de Melbourne, perante o qual os advogados do tenista apelaram, se declarou incompetente.

Esta mudança de jurisdição pode desacelerar o processo, avaliou a defesa de Djokovic.

Enquanto o tribunal escuta os argumentos de ambas as partes, Djokovic, que na próxima segunda-feira (17) começaria sua defesa do título do Aberto da Austrália contra o compatriota Miomir Kecmanovic, está retido em um local não divulgado em Melbourne.

O caso pode ter repercussões de longo prazo para o número um do mundo, que corre o risco de ser banido da Austrália por três anos.

Isso seria um duro golpe para 'Nole', que almeja seu décimo título em Melbourne e sua 21ª vitória em um Grand Slam - o que seria um recorde no circuito masculino.

Proteger os sacrifícios da Austrália

Desde o início, o interesse esportivo do primeiro Grand Slam do ano foi ofuscado pela saga judicial de Djokovic, que se tornou um dos líderes mundiais do movimento antivacina.

Há dez dias, "Nole" viajou para a Austrália após ter conseguido uma isenção de vacinação dos organizadores do torneio por ter testado positivo para a covid-19 em meados de dezembro.

No entanto, ao chegar ao país, as autoridades fronteiriças não consideraram que uma infecção recente justificasse uma exceção, anularam o visto de Djokovic e o enviaram a um centro de detenção de migrantes.

O tenista permaneceu trancado ali até a segunda-feira, quando seus advogados conseguiram que um juiz australiano o deixasse em liberdade por um erro de procedimento durante seu interrogatório no aeroporto de Melbourne.

Mas nesta sexta, o ministro da Imigração australiano, Alex Hawke, usou seu poder executivo para voltar a anular o visto de Djokovic, argumentando motivos de "saúde e ordem pública".

"Os australianos fizeram muitos sacrifícios durante esta pandemia e esperam, não surpreendentemente, que o resultado desses sacrifícios seja protegido", defendeu o primeiro-ministro conservador, Scott Morrison, sob pressão a quatro meses de uma eleição geral.

Depois de quase dois anos expostos a um dos confinamentos de fronteiras mais restritivos do mundo para impedir a propagação da covid-19, os australianos ficaram furiosos ao saber da isenção médica concedida ao tenista sérvio.

O que diz a defesa

Os advogados do tenista argumentam que o governo não mostrou "nenhuma evidência" da ameaça que Djokovic supostamente representa para os australianos e tentam mantê-lo livre até a resolução do caso.

Na Sérvia, onde a questão adquiriu conotações de ofensa nacional, o tratamento recebido por seu ídolo causa estupor.

"Por que o maltratam, por que o estão atacando, não apenas ele, mas também sua família e toda a nação?", escreveu o presidente Aleksandar Vucic nas redes sociais.

Djokovic admitiu esta semana "erros" em toda a polêmica, como incluir informações falsas na sua declaração de viagem dada às autoridades australianas ou ter encontrado um jornalista depois de ter testado positivo para covid-19.

O caso também gera polêmica no circuito de tênis.

Alguns jogadores consideram que o sérvio deveria poder jogar, mas outros, como o grego Stefanos Tsitsipas, número quatro do mundo, o acusaram de "seguir seu próprio caminho, o que faz a maioria parecer idiota".

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