Ceará tem planejamento especial com logística e cuidados médicos para reduzir efeitos da altitude

O Alvinegro joga em La Paz, pela liderança do Grupo C, com dois desafios pela frente: o Bolívar e a altitude

Legenda: O Vozão fez sua preparação em Santa Cruz de La Sierra, cidade boliviana a nível do mar, inclusive os treinamentos
Foto: Fausto Filho / CearáSC

O Ceará entra em campo nesta quarta-feira (5) para seu primeiro jogo internacional na altitude de La Paz, uma das maiores do continente, a 3,6 mil metros do nível do mar, ao encarar o Bolívar, no estádio Hernando Siles, pela Copa Sul-Americana. O Alvinegro, que já venceu uma e empatou outra na "Sula", busca uma campanha histórica na ompetição. Desta vez, enfrenta o time da casa, em jogo às 19h15, que vale a liderança do Grupo C. E a partida demandou cuidados médicos e logística diferenciada para minimizar os efeitos da altitude.

A lógistica na "Operação Bolívar" começou já na própria viagem. O Vozão embarcou de Salvador, local onde jogou a partida de ida da final da Copa do Nordeste contra o Bahiana, na tarde de segunda-feira, rumo à Santa Cruz de La Sierra, a 416 metros acima do nível do mar. A delegação alvinegra dorme na cidade mais populosa da Bolívia e só ruma à La Paz no dia do jogo.

A orientação do departamento médico do clube foi ficar o menor tempo possível na altitude, com recomendação de permanecer no máximo 12 horas. Por isso, a equipe chegará seis horas antes do apito inicial. E deixará La Paz logo depois do apito final.

Mal da Montanha

Um dos médicos do clube, Gustavo Pires, explicou que o cuidado acontece para que os integrantes da delegação alvinegra não apresentem sintomas.

"Os efeitos do "mal da montanha" ou mal da altitude começam a se fazer presentes entre seis e doze horas após a exposição (chegada), atingindo seu pico em torno de 24 horas. Por isso, tentamos permanecer o mínimo possível neste ambiente, a fim de minimizar a possibilidade de sintomas. O ideal seria chegar apenas poucas horas antes do jogo, mas a conmebol estipulou um mínimo de seis horas de antecedência. A delegação retornará logo após o jantar pós-jogo", disse ele.

O "mal da montanha" citado por Gustavo Pires é uma condição que se origina quando pessoas ambientadas ao nível do mar se expõem a grandes altitudes. Nas montanhas com mais de 2 mil metros de altitude, que é a altura em que o ar começa a ficar significativamente mais rarefeito, a pressão parcial de oxigênio fica 25% mais baixa em relação ao nível do mar.

Quanto maior a altitude, menor é a quantidade de moléculas de oxigênio no ar, que vai ficando cada vez mais rarefeito. Isso causa um impacto no corpo que resulta em alguns sintomas, como cefaleia, falta de ar ou tontura.

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Cuidados

A delegação alvinegra estará especialmente reforçada para este jogo de logística única. Dois médicos viajam com o elenco – diferentemente do habitual, com apenas um médico escalado. No Hernando Siles, os jogadores terão cilindros de oxigênio à disposição.

Antes disso, os cuidados com alimentação serão redobrados. A orientação é ter uma dieta com alimentos leves e menor intervalo entre refeições. Os jogadores também foram recomendados a aumentar a hidratação, porque o ar rarefeito é mais seco.

Foto aérea do Estádio Hernando SIles, em La Paz
Legenda: O lendário estádio Hernando Siles é o principal da Bolívia, sendo também a casa da seleção local. Foi lá que a Seleção Brasileira sofreu a primeira derrota na história das Eliminatórias, em 1993
Foto: psyberartist

Para os atletas em especial, a diminuição da pressão de oxigênio causa efeitos fisiológicos (diminuição da condição física, com menos oxigênio para respirar), biomecânicos (com menos pressão, há dificuldade para domínio, chute e tempo de bola).

Cenas de jogadores brasileiros utilzando cilindros de oxigênio, como Anderson do Internacional e Renato Augusto do Flamengo em jogos de Libertadores, são clássicas e símbolos da extrema dificuldade que é jogar na altitude.

Preparação

Para competir em locais com oferta de oxigênio reduzida, o ideal seria realizar um período de adaptação de três semanas para compensar as modificações no corpo. O que no futebol é impossível pelo calendário repleto de jogo. Então, para poder jogar e competir na altitude adequadamente, os clubes estão tomando decisões para minimizar estes efeitos, chegando na cidade poucas horas antes do jogo.

O fisiologista do clube explicou o planejamento do clube para minimizar o desgaste dos atletas alvinegros pensando nessa estratégia.

"Não temos tempo para adaptação longas, então decidimos por uma estratégia de estar em uma cidade no nível do mar para subir no dia do jogo, pelo calendário denso. Treinaremos a nível do mar e subiremos 3.600 metros de altitude para enfrentar nosso adversário. É só mais uma barreira que vamos ter que ultrapassar, além de outras que temos, como calendário, viagens longas. Nós somos um time do Nordeste, que passa por isso no Brasileiro, somos o time que mais viaja. Os atletas estão cientes dessa barreira. Com certeza, a gente vai fazer um bom jogo", ressaltou Giovanni Ramirez.

 

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