Zotye deve ter unidades no Ceará e em Goiás
Planta cearense deverá exportar sua produção, enquanto a unidade goiana atenderá o mercado interno
A montadora chinesa de automóveis Zotye Motors deverá ter unidades fabris no Ceará, dentro da Zona de Processamento de Exportação (ZPE) do Estado, e também em Goianésia, município localizado a 170 Km da capital de Goiás, Goiânia. A decisão foi anunciada na manhã de ontem durante a reunião de representantes da empresa no Brasil e o assessor especial para Assuntos Internacionais do governo estadual, Antônio Bahlmann.
Entre os detalhes discutidos no encontro, foi definido que uma parte da montadora ficaria dentro do território da ZPE Ceará, cuja produção será destinada para a exportação dos automóveis a destinos da América Latina e África. Outra parte ficará no município de Goianésia e terá produção destinada para abastecer o mercado brasileiro.
"Estamos desenvolvendo uma proposta para apresentar para a Zotye na China, nas próximas semanas, uma planta industrial para a produção de 100 mil veículos por ano, que deverá ser incluída no acordo Brasil-China", informou Bahlmann. A montadora, cujo investimento necessário é avaliado em R$ 200 milhões, deverá funcionar em etapas. Primeiro, a montagem dos veículos com peças importadas, sem necessidade das peças nacionais, seguida pela fase de linha de produção.
Segundo o assessor, a última etapa será a fabricação de motores, o que tem caráter de longo prazo, já que os equipamentos são fabricados pela japonesa Mitsubishi Motors, na China.
A ideia do governo cearense é estreitar relações com a empresa para viabilizar a fabricação de motores pela empresa dentro do Complexo Industrial e Portuário do Pecém (Cipp). "Nós ainda vamos conversar com a Mitsubishi para negociar esse ponto", destacou o assessor de Assuntos Internacionais.
Ampliação da ZPE
Um dos requisitos para viabilizar a vinda da montadora para o Estado é a ampliação da poligonal da ZPE, dos atuais 4,2 mil para 6,2 mil hectares. Na última quinta-feira (14), Bahlmann e o presidente da ZPE Ceará, Mário Lima Júnior, apresentaram a proposta de expansão ao grupo de apoio técnico do Conselho Nacional das ZPEs (CZPE), formada pelos ministérios do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic), Integração Nacional, Fazenda, Meio Ambiente e Planejamento, que deverá assumir uma posição sobre o assunto no início do próximo mês.
Entre as justificativas para a mudança do perímetro da ZPE, foi considerada a inclusão da área que antes era destinada à construção da refinaria Premium II, pela Petrobras, cancelada no início do ano passado.
"Isso com base na necessidade de se ter uma área para a inclusão da refinaria no acordo Brasil-China, definida como uma prioridade pelo governo federal", explicou Bahlmann. "É a área que vamos apresentar ao Ministério do Planejamento, que conduz o acordo. Essa é a contrapartida do governo do Ceará no projeto", acrescentou.
Granito
Outro ponto apresentado como justificativa para a ampliação é a reserva de uma área de 200 a 300 hectares somente para o setor de granito. Dez empresas do setor já conquistaram o espaço formalmente, segundo Bahlmann, de em média 30 hectares.
O assessor apontou que pelo menos 30 empresas do setor, entre nacionais e internacionais, deverão se deslocar para a ZPE. "Há interessados de países como Itália e Espanha. Devemos incluir mais dez durante a Fortaleza Brazil Stone Fair, evento que vai acontecer em Fortaleza no fim de maio", observou.
O governo argumentou ainda que outro setor da ZPE será destinada à indústria de calçados, no intuito de recuperar unidades fabris instaladas em outras ZPES de marcas instaladas no Ceará.
"Praticamente todas as empresas de calçados do Ceará têm fábricas fora. Nosso intuito é que, ao invés de gerar empregos em outros países, que essas fábricas gerem novas oportunidades aqui mesmo no Estado", afirmou, dizendo que a receptividade tem sido muito boa. Ele acredita que de oito a dez empresas deverão se instalar na ZPE.