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Tarifa extra para agronegócio pode gerar demissões

Medida que pode ser adotada pela Cogerh como mais uma forma de amenizar a crise hídrica foi criticada

Escrito por
Redação producaodiario@svm.com.br
Legenda: Corte no abastecimento pela Cogerh fez com que agroindústria que necessite da irrigação fosse buscar água da perfuração de poços profundos
Foto: Foto: Cid Barbosa

A tarifa extra para a água bruta consumida pela agroindústria cearense que é estudada pela Companhia de Gestão em Recursos Hídricos (Cogerh), semelhante à que entrou em vigor neste fim de semana em Fortaleza e hoje na Região Metropolitana, deve causar demissões e mais fuga de investimentos do Estado, segundo afirmou o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Ceará (Faec), Flávio Saboya.

"Se já não bastassem os sucessivos cortes que praticamente nesses últimos 12 meses o setor vem recebendo nas suas outorgas, a elevação do seu valor não se justificaria para estas empresas, pois são empresas altamente de cunho tecnológico, de agricultura avançada e moderna", afirma Saboya, informando que o consumo de água pela agroindústria é totalmente calculado e não é usado mais que o necessário para garantir a produção.

O presidente da Faec também observa que o consumo de água por um setor produtivo não é praticado como se faz nas residências: "quando a água é insumo da sobrevivência de um emprego é para ser vista de forma cuidadosa".

Alternativas

Ele ainda relembra que a Federação insistiu na dessalinização antes mesmo do governo cogitar a possibilidade, para que a água do mar fosse aproveitada pelo setor industrial (como as termelétricas, que também devem ter tarifa extra estabelecida neste ano). Outra alternativa ao corte do consumo e à taxação apontada por Saboya foi o reúso de água pelo setor industrial do Complexo Industrial e Portuário do Pecém (Cipp).

O enfoque para o reúso pelas indústrias da Região Metropolitana se dá, segundo ele, porque sairia mais caro retornar essa água para os polos produtivos na Serra do Apodi, a mais de 400 metros do nível do mar.

Fuga do Ceará

Saboya ainda alertou para outro acontecimento gerado pela falta de segurança hídrica do Ceará: "alguns empresários do Rio Grande do Norte conseguiram com o governo daquele estado disponibilizar uma grande barragem para que os fruticultores do Ceará fossem para lá, e, hoje, temos três grandes empresas, das maiores produtoras locais, indo para lá".

"Se continuar assim como vai acontecer? Vamos perder todos esses serviços? Vamos perder todas essas divisas? Quem vai cobrir os prejuízos, garantir empregos das famílias que serão preteridas em função de uma medida como a desta tarifa?", indagou o presidente da Faec.

Para Flávio Saboya é necessário que o governo do Estado monte uma estratégia para manter a agroindústria dentro do Ceará, pelo menos, nos próximos seis meses, a partir de quando ele acredita que a quadra chuvosa volte ao normal e a água para a produção e o consumo humano não sejam mais problema.

Sustento dos poços

Já o proprietário da Itaueira, uma das maiores produtoras de melão do Ceará, Carlos Prado, minimizou o problema devido, justamente, aos sucessivos cortes das outorgas de água para os fruticultores no Estado.

"Acredito que o impacto não deve ser tão expressivo porque o consumo de água pelo setor produtivo, pela irrigação, caiu muito em função da baixa oferta de água pela própria Cogerh", afirmou o empresário.

De acordo com ele, o setor vem sustentando a produção com água retirada de poços profundos. Segundo informou, "a expansão (da lavoura) que se conseguiu foi com poços".

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