Cultivo de maçã e pera na Serra da Ibiapaba avança
Berlim. O empresário cearense Tom Prado, também sócio e diretor da Itaueira Agropecuária, uma das maiores produtoras e exportadoras brasileiras de melão e melancia, aposta no sucesso das pesquisas que, sob a supervisão da Embrapa, se fazem na Ibiapaba para a produção de maçã e pera.
LEIA MAIS
.Cearáportos pela 1ª vez na maior feira de frutas do mundo
Ele é o novo diretor do Departamento Técnico de Fitossanidade da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), de cuja Comissão Nacional de Fruticultura foi presidente até a semana passada.
"Os resultados têm sido animadores e o clima da região contribui para que tenham sucesso agronômico os investimentos que a iniciativa privada vem fazendo há cinco anos ali", diz Tom Prado, que se preocupa com a baixa pluviometria que o Ceará registra desde 2012. "Em 2016, o índice de chuva foi muito baixo, o que pode ter repercutido no desenvolvimento das pesquisas para o cultivo de maçã e pera na Ibiapaba", acrescenta.
Essa mesma preocupação Tom Prado também tem em relação à oferta de água para a Região Metropolitana de Fortaleza e para o Complexo Industrial do Pecém. Ele transmite uma sugestão ao Governo do Ceará a investir na tecnologia da dessalinização da água do mar para garantir em tempos de crise hídrica, como a que agora se registra, o abastecimento das cidades litorâneas. "Fico contente com as notícias de que o governador Camilo Santana já trabalha no sentido de viabilizar, no curto prazo, a construção de uma usina dessalinizadora no litoral de Fortaleza", acrescentou.
Escassez de água
Foi por causa da falta de água na região jaguaribana, onde produzia frutas havia 10 anos, que a Itaueira se transferiu para o Rio Grande do Norte, para onde a concorrente Agrícola Famosa - que tem fazenda de produção em Icapuí (CE) - também expandiu seus investimentos, atraída pelo mesmo motivo: a boa oferta de água do subsolo potiguar. Agora, o Rio Grande do Norte - graças à presença das duas empresas cearenses - já é o maior produtor de melão do Nordeste.
Tom Prado reconhece que o governo do Estado "tem feito tudo ao seu alcance" para amenizar os efeitos sociais e econômicos causados por cinco anos consecutivos de baixa pluviometria no Ceará, "com possibilidade de ter de enfrentar, neste 2017, mais um período de chuvas abaixo da média histórica".
Por isso, ele sugere algumas medidas para encarar o "fato inusitado", tais como: "Uso da água do mar, dessalinizada; perfuração de poços profundos no pé das dunas das praias e também nas áreas propícias do sertão; reúso das águas dos sistemas de esgotamento sanitário para as atividades que o permitam; outorga de água sob novas condições e critérios para as atividades do setor rural que gerem mais emprego e renda e, em automática contrapartida, utilizem menos água no processo produtivo; e bandeiras tarifárias mais condizentes com a oferta de água em momentos críticos, o que vale também para o fornecimento de energia elétrica". (ES)