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Crise de confiança está acentuada

Economistas também avaliam que a inclusão de Lula no governo pode agilizar o processo de mudanças

Escrito por
Ângela Cavalcante - Repórter producaodiario@svm.com.br
Legenda: No mercado financeiro, a crise política tem se traduzido em muita volatilidade, influenciando o resultado da Bolsa e a cotação do dólar

Em meio ao cenário político conturbado no Brasil, com reflexos no desempenho econômico do País, uma nova avalanche deve agravar o clima de incerteza, retardando ainda mais a retomada do crescimento. A confirmação, ontem, do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como ministro da Casa Civil e a notícia de que a presidente Dilma Roussef fará uma reforma ministerial acentuou, segundo economistas, a crise de confiança. Por outro lado, pode agilizar um processo de mudança.

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Para o economista Ricardo Eleutério, professor de mercado de capitais da Universidade de Fortaleza (Unifor), "não há um rumo previsível. Estamos vivendo uma situação de imobilismo econômico total. Esse não é uma ambiente favorável para uma retomada dos investimentos e do consumo. As incertezas estão mais elevadas e o impacto sobre a economia é péssimo". Ele também reforça que "só haverá uma nova janela para a economia na hora que clarear o quadro político nacional".

Segundo o economista, no mercado financeiro, a crise política tem se traduzido em muita volatilidade. "Na segunda e na terça-feira a bolsa caiu e o dólar subiu pautados pelas questões políticas. O mercado financeiro é muito sensível para traduzir as mudanças no ambiente político nacional", analisa.

No olho do furacão

Para o economista Alex Araújo, ainda não dá para fazer um desenho claro de como ficará o cenário econômico. "Não é só por que o ex-presidente Lula assume um ministério, mas irão haver outras mudanças ministeriais. Fica muito difícil de saber como a economia vai reagir a toda essa avalanche", reconhece.

Segundo Araújo, o Brasil está realmente "no olho do furacão". Ele explica que, no momento, há uma movimentação muito intensa no cenário político e que não se tem como saber os rumos que o País irá tomar depois que o furacão passar.

"Estamos vivendo um ponto de inflexão. E essa situação aponta para uma mudança, que pode ser para melhor ou para pior. Então estamos vivendo uma situação de incerteza. Tanto que a reação dos mercados foi relativamente leve, refletindo a dificuldade de leitura do atual cenário", esclarece.

Articulação

Por outro lado, Araújo reconhece que a crise política pode melhorar, com a participação de Lula no governo. "Não se pode negar que Lula tem uma capacidade de articulação muito forte", observa o economista, em referência a dificuldade de relacionamento do executivo com o legislativo acentuada, segundo ele, pela Operação Lava Jato.

Relação

Carlos Eduardo Marino, economista do Programa de Pós-Graduação em Economia da Universidade Federal do Ceará (CAEN/UFC) e pesquisador do Laboratório de Estudos da Pobreza (LEP), alerta que as duas crises, a econômica e a política, estão relacionadas e assim também, será a solução de ambas. "Identificar qual delas é a maior é difícil. Mas o certo é que as duas crises se relacionam. Sem a solução de uma, não há solução para a outra", afirma ela.

Marino lembra que um dos fatores que dá impulso à economia é a expectativa das pessoas. "O empresário só investe se houver perspectiva positiva. As pessoas só consomem se sentirem segurança. E no momento não há confiança. Então a economia está paralisada", resume.

Temor

Embora afirme que "a crise econômica não é a pior vivida no Brasil", Marino lembra que ela já está afetando o emprego e diz temera um retrocesso, que resulte na perda de conquistas obtidas nos últimos anos.

"O quanto antes essa crise política for solucionada, mais rápida será a retomada econômica do pais. Qualquer rumo que seja tomado, desde que seja estável e duradouro, será bom para a sociedade porque as pessoas voltarão a se planejar, a investir a consumir", argumenta ele.

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