CE: falta de linhas de transmissão ainda é gargalo
Pioneiro na área de energia limpa no País, o Ceará foi ultrapassado pelos estados do Rio Grande do Norte e Bahia
O crescimento do setor de energia renovável no Ceará, com a construção de parques eólicos e solares, enfrenta dificuldades por conta da falta de linhas para transmitir o potencial de energia instalado no Estado. Regiões como o litoral leste, Tauá, Milagres, Chapada do Apodi e Cariri poderiam ser mais desenvolvidas nesse mercado, devido ao potencial natural, mas encontram limitações para o escoamento da produção.
As informações são de Bernardo Santana, coordenador executivo do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (Cerne) para o Ceará. Ele destaca que há, inclusive, um parque eólico da empresa Alupar em Aracati, no litoral leste, parado por faltar linhas de transmissão.
Além do litoral, Santana destacou o potencial eólico e solar da Chapada do Apodi, na divisa do Ceará com o Rio Grande do Norte, onde está o projeto para o primeiro condomínio de energia solar do País.
Investimento de R$ 7 milhões da companhia multinacional Enel, controladora da Companhia Energética do Ceará (Coelce), o parque atenderá, em sua primeira fase, à demanda das Farmácias Pague Menos.
Conexão
Ele apontou que em regiões mais áridas, como o município de Tauá, há um importante potencial para a geração de energia solar que poderia ser mais explorado. "Mas daqui a pouco não vai ter mais espaço de conexão para subestações lá, então vão ser necessários investimentos em linhas de transmissão naquela região também", disse.
Mercado
O Ceará, pioneiro no País em energia renovável nos anos 2000, foi ultrapassado pelo Rio Grande do Norte e pela Bahia na última década. Na avaliação de Santana, a construção de novas linhas possibilitaria que o Estado voltasse a se igualar ao potencial do Rio Grande do Norte. "Superar a Bahia é mais difícil, porque é um estado com grande extensão e fortíssima área de geração no interior", ponderou.
Ele pontuou, entretanto, que existem muitos projetos para a construção de parques no Rio Grande do Norte, o que deve ampliar ainda mais a diferença entre a capacidade de produção dos estados.
"Na realidade, para o Ceará ficar à frente, não bastaria fazer o dever de casa. Desde o ano passado, o governo vem tentando trazer investimentos, atraiu as atenções de volta ao mercado do Ceará, mas, sem linhas de transmissão, não adianta", alertou Santana.
Leilão
O coordenador explicou que, antes que novas linhas de transmissão sejam construídas, é preciso fazer um trabalho político junto ao Ministério de Minas e Energia e à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), para que sejam feitos estudos prévios a respeito da viabilidade da construção na área. Somente então, caso sejam viáveis, as propostas podem ser apresentadas em leilão para a iniciativa privada.
No último dia 13, o Ceará foi contemplado com a construção de mais de 500 quilômetros de linhas de transmissão de 500 KV e de 230 KV, além de novas subestações para reforçar a rede básica e permitir a instalação de futuros parques eólicos na região, que abrange o litoral oeste e parte da Serra de Ibiapaba. Com isso, o potencial de escoamento de energia elétrica será ampliado para 10 mil MW.
A previsão é que as instalações entrem em operação no prazo de três a cinco anos a partir da assinatura dos contratos de concessão. Segundo o secretário adjunto de Energia, Mineração e Telecomunicações, Renato Rolim, com a garantia do escoamento de energia, será possível prospectar investimentos da ordem de R$ 25 bilhões para novos empreendimentos de geração, possibilitando a criação de até 17 mil empregos.
Santana admitiu que a nova linha é muito importante para o mercado de energia renovável cearense, entretanto, pontuou ser necessário que o trabalho continue a fim de angariar novas linhas de transmissão para o Estado. "Há diversas áreas que são fontes de vento e de sol. É preciso que essa rede seja expandida para esses pontos", acrescentou o coordenador.
