A burocracia e o custo elevado do processo de 'desaposentação' fizeram a jornalista Isildene Muniz desistir de reivindicar os seus direitos prejudicados com a aplicação do fator previdenciário na época de sua aposentadoria, há quatro anos, quando estava com 52 anos de idade e 32 anos de contribuição à Previdência Social, trabalhando com carteira assinada.
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"Se fosse com 55 anos de idade e 30 de trabalho com carteira assinada, eu teria me aposentado com salário integral. Mas como minha aposentadoria foi proporcional, pois eu tinha um pouco mais que o tempo de serviço exigido mas não contava com a idade necessária, acabei perdendo em torno de 25% no valor do benefício. Tudo por causa dos cálculos do fator previdenciário", explica a jornalista.
Depois de aposentada, Isildene ainda trabalhou sete meses com carteira assinada. Por isso, ao completar 55 anos, ela procurou atualizar seu benefício por meio do recurso da desaposentação. "Eu achava que tendo trabalhado depois de aposentada e estando com a idade exigida poderia conseguir que meu benefício ficasse integral. Mas ao consultar uma advogada, ela informou que, na minha situação, não valeria a pena porque os custos do processo seriam bem maiores do que eu iria receber", lamentou.
Critérios
Em primeiro lugar, informou a advogada, para iniciar o processo, um dos critérios necessários seria estar na ativa até os 55 anos completos, o que não é o caso da jornalista, que parou de trabalhar perto dos 53 anos. O segundo ponto é que como trabalhou apenas sete meses depois de se aposentar, o valor a ser revisado não seria compensador em relação à burocracia do processo e ao seu custo elevado.
"A advogada acrescentou também que a desaposentação é um processo muito complicado e na maioria das vezes não dá certo. Então desisti", conta Isildene.
Preocupação
Hoje, a jornalista aposentada Isildene Muniz se diz preocupada com a desvalorização do benefício, principalmente num cenário de inflação. "Com essa política aplicada aos benefícios associada à inflação, daqui a pouco vou estar ganhando um salário mínimo", estima.
Apesar da preocupação, ela garante que no momento não planeja voltar ao mercado de trabalho. "Por enquanto, me divido entre a dedicação aos meus pais, netos e filhos e atividades espirituais, que incluem estudos bíblicos, entre outras missões, como Testemunha de Jeová". (AC)