Impressões de mãos e pés infantis pode ser a arte pré-histórica mais antiga do mundo

Cientistas acreditam que as marcações datam de 169 mil a 226 mil anos a.C.

Arte pré-história com marcas de mãos e pés de criança no Planalto Tibetano
Legenda: No total, há marcas de cinco mãos e cinco pegadas empregadas na rocha
Foto: Reprodução/Zhang et al., Science Bulletin

Marcas de mãos e pés feitas por crianças no Planalto Tibetano podem ser a arte pré-histórica mais antiga do mundo, conforme uma pesquisa publicada pelo jornal científico Science Bulletin. As marcações datam de 169 mil a 226 mil anos a.C., segundo pesquisadores da Universidade de Guangzhou, na China. 

A datação supera qualquer registro do tipo conhecido. Como comparação, uma intervenção artística atribuída aos neandertais foi feita há 64,8 mil anos, enquanto o desenho de um javali, considerada a arte mais antiga do mundo, tem 45,5 mil anos. As informações são da Superinteressante

O artefato foi encontrado em 2018 na região de Quesang, no alto do Planalto Tibetano. As marcas estavam em uma rocha calcária, chamada travertino, e, segundo a análise da Universidade de Guangzhou, devem ter sido realizadas por crianças

No local, havia uma fonte termal que pode ter depositado os sedimentos na forma. Já as pegadas foram deixadas na lama, quando o calcário ainda não havia endurecido. 

Considerando o tamanho das marcações, os pesquisadores estimam que elas foram feitas por duas crianças, uma de sete e outra 12 anos, que provavelmente brincavam na poça. 

Arte pré-história com marcas de mãos e pés de criança no Planalto Tibetano
Legenda: No local, havia uma fonte termal que pode ter depositado os sedimentos na forma das marcações. Já as pegadas foram deixadas na lama, quando o calcário ainda não havia endurecido
Foto: Reprodução/Zhang et al., Science Bulletin

Além de possivelmente ser a arte pré-histórica mais antiga do mundo, o artefato também é a evidência de humanos — ou ancestrais diretos da espécie — no Planalto Tibetano mais antiga. 

A época das marcações remota ao Pleistoceno médio, período em que a Terra passava por uma glaciação. A presença de hominídeos na área onde é hoje Quesang impressiona os pesquisadores, já que o local fica a uma elevação de 4,2 mil metros em relação ao nível do mar — sendo provavelmente um ambiente frio e inóspito.

Cientistas divergem se achado seria arte

Os pesquisadores classificam as evidências como arte devido à disposição das pegadas, que parecem ter sido marcadas intencionalmente e de forma cautelosa. No total, há marcas de cinco mãos e cinco pegadas empregadas na rocha. 

No entanto, o paleontólogo da Universidade de Huelva, na Espanha, Eduardo Mayoral, declarou à NBC News que acha “difícil pensar que há uma ‘intencionalidade’ neste design”. 

O arqueólogo e antropólogo do Instituto Max Planck, da Alemanha, Michael Petraglia também discordou de que o achado seja arte, ele explicou à emissora que são necessárias mais evidências para fazer uma afirmação como esta. O pesquisador ainda acrescentou que as pegadas podem ter sido gravadas na rocha após sua formação original, o que coloca a datação em dúvida.

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