Donald Trump é vaiado por apoiadores em comício ao defender vacinação contra Covid-19

Ex-presidente dos EUA chegou a interromper discurso e defender liberdade de não receber vacina

Trump com mãos erguidas sobre a cabeça após ser vaiado
Legenda: Além das vaias, ex-presidente Trump foi motivo de risos na plateia
Foto: Chip Somodevilla/Getty Images/AFP

O ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump foi vaiado em comício, no último sábado (21), ao defender a vacinação contra a Covid-19. Trump chegou a interromper o discurso e, depois, defendeu a liberdade de quem não quer se imunizar. As informações são do portal G1.

"Eu acredito totalmente na liberdade de vocês, mas eu recomendo: tomem as vacinas! Eu fiz isso e é bom", disse Trump antes das vaias. O ex-presidente dos EUA, diferentemente do atual, Joe Biden, não publicou sua imunização contra o coronavírus.

Durante o ato, o ex-presidente chegou a sinalizar um "não" com a mão em direção a quem o estava vaiando, mas se posicionou em sequência: "Ok, vocês têm suas liberdades. Mas eu tomei a vacina".

O comício, intitulado "Salve a América", ocorreu em Cullman, no Alabama. O estado norte-americano passa por alta no número de casos, está sem leitos de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) disponíveis e mais de 67% da população sem esquema vacinal completo. A média da população dos EUA sem vacinação completa é de menos de 40%.

O presidente também provocou risos em parte da plateia ao dizer que "se [a vacina] não funcionar, vocês serão os primeiros a saber".

Vacinação de Trump

Tanto Donald Trump quanto a ex-primeira-dama, Melania Trump, receberam a primeira dose do imunizante em janeiro, quando ainda estavam na Casa Branca. A informação sobre a vacinação, porém, só foi revelada em março, por um assessor.

O casal foi acometido pela Covid-19 em outubro do ano passado. Melania teve sintomas leves e foi tratada em casa, mas Trump, que chegou a fazer quarentena, precisou ser hospitalizado.

Ao receber alta, Trump declarou estar imune à doença, o que não é verdade — é possível ser contaminado pelo coronavírus e ter Covid-19 mais de uma vez.

Joe Biden, por sua vez, tomou a primeira dose da vacina em dezembro e a segunda em janeiro, antes de assumir o cargo. A imunização dele ocorreu em público com o incentivo de fazer a população estadunidense se vacinar.

Covid-19 nos EUA

Com 331 milhões de habitantes, os Estados Unidos são o terceiro país mais populoso do mundo e o primeiro em números de casos e óbitos da doença (37,7 milhões e 628 mil, respectivamente), conforme o projeto "Our World in Data", ligado à Universidade de Oxford.

Em número de vacinas, os EUA são o terceiro país em imunização, com 362 milhões de doses distribuídas. Mais de 60% da população recebeu ao menos uma dose das vacinas contra a Covid-19, e 51% está com esquema vacinal completo até o momento.

A imunização, contudo, teve forte desaceleração, dado que parte da população do país resiste a se vacinar.

O número de doses aplicadas por dia caiu da média de 3,3 milhões, em abril, para menos de 900 mil no momento. Atualmente, o país administra menos vacinas por dia que o Brasil, com 1,7 milhão.

Concomitantemente à queda na vacinação, os EUA viram o número de casos e mortes voltar a subir. Os registros confirmados estavam em menos de 12 mil em junho, mas já estão em quase 150 mil atualmente.

O número de óbitos por Covid-19, que caíra para menos de 250 diários em julho, já está acima de mil por dia um mês e meio depois.

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