Como identificar os quatro planetas que podem ser vistos a olho nu da Terra até o fim de fevereiro

Vênus, Mercúrio, Saturno e Júpiter estão visíveis até sábado (28) sem necessidade de telescópios.

Escrito por
João Gabriel Tréz joao.gabriel@svm.com.br
(Atualizado às 16:23)
Legenda: Imagem do Stellarium mostra a disposição dos planetas durante o período em que os planetas estão visíveis.
Foto: Stellarium 24.2 / Reprodução.

Um espetáculo visual poderá ser visto a olho nu da Terra até o final de fevereiro: sem necessidade de telescópios ou outros equipamentos do tipo, os planetas Vênus, Mercúrio, Saturno e Júpiter estarão simultaneamente visíveis no céu

Essa configuração planetária, apesar de não ser rara e ocorrer com alguma frequência, como explica Dermeval Carneiro, pesquisador e diretor do Planetário Rubens de Azevedo, estimula leigos e amantes da astronomia a aproveitarem para observar os corpos celestes. 

O fenômeno, que é visível em todo o Brasil, vem acontecendo desde o dia 18 e segue até o sábado (28)

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Como identificar os quatro planetas no céu?

Para a observação dos quatro planetas ser a melhor possível, algumas recomendações são partilhadas pelo Observatório Nacional (ON), instituto de pesquisa vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação:

  • Busque um horizonte oeste em local aberto, sem prédios, morros ou árvores impedindo o olhar e distante da poluição luminosa urbana;
  • Espere ser escuro o suficiente para a observação dos planetas;
  • Utilize ferramentas como sites e aplicativos que ajudam a localizar planetas, caso do Stellarium, que é gratuito.

Em Fortaleza, segundo cálculos de Dermeval, o melhor horário para ver os quatro planetas nesta quarta-feira (25) será a partir de 18 horas, alguns minutos após o pôr do Sol na capital cearense. Além disso, ele ressalta a necessidade do céu estar limpo, sem nuvens.

“Enquanto o Sol não se esconder embaixo do horizonte, você não vai ver nada, porque, como nós dizíamos antigamente na infância, o Sol encandeia a gente, não vê estrela, nem planeta”
Dermeval Carneiro
pesquisador e diretor do Planetário Rubens de Azevedo

É necessário encontrar, primeiro, o poente. Trazendo para o contexto de Fortaleza, o professor explica que, se você estiver na Praia de Iracema, ele fica para o Oeste, o lado da Ponte dos Ingleses, à esquerda

Seja na praia ou em um andar de um prédio alto em que a janela dê para o pôr do Sol, por volta de 18 horas deve ser possível ver Vênus e Mercúrio bem próximos entre si, e ambos também próximos da linha do horizonte. “Calculei e eles vão estar 7º acima do horizonte — uns quatro dedos acima do horizonte”, traduz.

O mais brilhante entre os dois corpos celestes, o professor ensina, é Vênus, comumente confundido por leigos com uma estrela. No entanto, segue ele, se você vê algo que pisca, será uma estrela; caso não pisque, caso de Vênus, é um planeta.

Já Mercúrio é bem menor e menos brilhante. “É pequeno, mas dá para ver. Com boa vontade, você vê uma bolinha vermelhinha muito pequena próxima ao horizonte”, explica.

Também para o lado do poente, à direita e acima de Vênus, será possível observar um “objeto amarelado, pequenininho e que não pisca”. Será Saturno visível a olho a nu.

Finalmente, mais para o Norte, um pouco à direita do poente, será possível observar Júpiter, que estará próximo da Lua. O satélite será o astro mais brilhante no céu no momento, mas o planeta fica logo atrás. 

O professor situa o que fazer para enxergá-lo levando em conta a visão da Praia de Iracema:

“No aterro da Praia de Iracema, se você olhar para a direita, é o Leste. À esquerda, é o Oeste. O Norte está no meio. Você estando de frente para o mar, com as costas para o Ideal Clube, em cima (haverá) um objeto muito, muito, brilhante, que é Júpiter. À esquerda dele, bem alto, vai estar a Lua”
Dermeval Carneiro
pesquisador e diretor do Planetário Rubens de Azevedo

Nos cálculos de Dermeval, Júpiter estará a 45º do horizonte. Na “tradução” didática do professor, ele ensina: “Na praia, pegue o seu polegar e encoste no horizonte, com o dedo mindinho para cima. Bote dois palmos e vai ver Júpiter”.

Além dos quatro planetas visíveis, também estarão no céu Urano e Netuno. O primeiro, diz o diretor do Planetário, estará à esquerda da Lua. “É um ponto tão tênue que a gente não vê a olho nu facilmente. Só se você for para uma cidade do interior onde não tem nenhuma lamparina acesa”, ressalta.

Para ver de Fortaleza, por exemplo, é necessário um telescópio potente. Já Netuno estará bastante próximo de Saturno, um pouco abaixo dele. Para vê-lo, “só com telescópio com lentes potentes dentro de um observatório que esteja escuro”.

Os horários elencados até aqui de cada planeta se referem às 18 horas desta quarta-feira. No entanto, para os próximos dias, basta se preparar com mais antecedência. “Amanhã eles vão estar nessas posições mais cedo”, resume o professor.

“Todo dia esses objetos que eu disse nascem um pouco mais cedo, então eles se põem um pouco mais cedo. Então, hoje às 18 horas está bom (para ver). Amanhã, o ideal seria um pouquinho antes das 18 horas, porque eles vão se pôr mais cedo”, reforça.

Evento não configura “alinhamento planetário”

Um ponto relevante na fala do professor e pesquisador Dermeval Carneiro é que o fenômeno não é e nem se aproxima de um alinhamento planetário como o estabelecido pela Ciência.

A ressalva se faz importante porque, conforme ele, é possível observar profissionais e veículos que, em busca de chamar atenção, apostam na desinformação. “Anunciar para a população que vai ter um alinhamento de planetas é um desserviço à comunicação científica”, atesta o especialista.

“Uma coisa muito importante em nome da ciência, da divulgação científica correta, é desmistificar e esclarecer à população que não existe essa história de alinhamento. É um erro grosseiríssimo”
Dermeval Carneiro
pesquisador e diretor do Planetário Rubens de Azevedo

A explicação do diretor do Planetário é didática: se 10 colegas seus fizerem uma fila na sala do trabalho, um atrás do outro, olhando para a mesma janela, você verá de fato somente as costas do último

No paralelo astronômico, “os planetas estariam um atrás do outro no céu e você veria somente um enorme objeto brilhante, porque é a soma dos brilhos de todos os planetas que estariam alinhados, se fosse um alinhamento planetário da forma cientificamente correta”.