Soldado que morreu em treinamento do Exército tinha dito à sua mãe que semana seria 'a mais difícil'

A comerciante veio do Interior para ver o filho na Capital, no fim de semana anterior à morte

O soldado Wanderson de Holanda Nogueira tinha 19 anos e também era lutador de muay thai
Legenda: O soldado Wanderson de Holanda Nogueira tinha 19 anos e também era lutador de muay thai
Foto: Reprodução

O soldado Wanderson de Holanda Nogueira, de 19 anos, que morreu em um treinamento do Exército Militar, em um quartel no Distrito de Penedo, em Maranguape, Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), tinha dito à sua mãe, a comerciante Liduína Holanda, que aquela semana seria a mais difícil do treinamento militar.

O jovem, natural de Capistrano, estava há três meses no Exército. Uma semana antes de morrer, ele pediu para a sua mãe vir a Fortaleza passar o fim de semana com ele porque a semana seguinte iria lhe exigir muito esforço. O encontro acabou sendo a despedida do filho com a mãe.

"Quando foi quinta-feira (dia 14), ele me ligou pra ir, porque ia ser uma semana muito difícil, porque ele não ia mais entrar em contato comigo. Ele falou que seria muito difícil, que a semana mais difícil do Exército seria essa. Como ele tava se sentindo com medo do que o pessoal tava dizendo, que lá é muito pesado, ele tava com receio. Mas como ele não queria dar o braço a torcer, ele foi", conta Liduína.

Eu disse: 'não vai, não, desiste disso aí, tu não precisa disso, desse sofrimento todo'. Mas era o sonho dele. O sonho que custou a própria vida. Eu senti ele nervoso, diferente, mais calado, mais quieto. Os amigos chamaram ele pra sair, pra beber, ele não quis. Ficou comigo e me chamou pra missa".
Liduína Holanda
Mãe de Wanderson

Quando Wanderson voltou para o quartel, Liduína viajou para Capistrano e não teve mais contato com o filho. Na quinta-feira (21), quarto dia do treinamento em Maranguape, ela foi surpreendida com a ligação de que o filho tinha passado mal e que a família precisava vir à Capital. Mas ao chegar aqui, o jovem já estava morto.

Questionado sobre o caso, a 10ª Região Militar (que abrange o Ceará) apenas lamentou a morte e informou que "as circunstâncias que envolveram a irreparável e precoce perda estão sendo devidamente apuradas".

Família de jovem pede por justiça

A família do soldado Wanderson de Holanda Nogueira pede esclarecimentos sobre a causa da morte do jovem e punição para possíveis responsáveis pelo caso. Segundo os familiares, ele era um rapaz saudável e, além de treinar há três meses no Exército, era lutador de muay thai.

Eu sei que a vida do meu filho não vai voltar. Mas eu quero que não aconteça com outros jovens. E eu quero justiça. Por que se eles fizeram alguma coisa com meu filho, eu quero justiça, eu vou atrás. Nem que minha vida esteja em risco, mas eu vou atrás. A dor que eu tô sentindo é incomparável, ninguém tá sentindo".
Liduína Holanda
Mãe de Wanderson

A tia de Wanderson, a professora Antonielda Holanda, reforça: "A gente quer uma resposta. A gente quer que o Exército, as Forças Armadas, digam o que aconteceu. Porque há boatos de que outro soldado teria batido a cabeça dele. Que ele estava passando mal e o comandante disse que aquilo era moleza. Se isso realmente aconteceu, houve uma negligência para atendê-lo".

 

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