Reconstituição da morte de adolescente de 14 anos, baleado por PM, acontece quase 2 anos após o fato

Juan Ferreira foi baleado na cabeça, no bairro Vicente Pinzón, em Fortaleza. A expectativa é que o PM suspeito dos disparos participe da reconstituição

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Legenda: As vias no entorno do local onde a reconstituição deve acontecer foram bloqueadas horas antes
Foto: Rafaela Duarte

Após quase dois anos da morte do adolescente Juan Ferreira dos Santos, a  reprodução simulada do homicídio está programada para acontecer a partir das 20h desta quinta-feira (25). A reconstituição do crime será realizada na Praça do Mirante, no bairro Vicente Pinzón, em Fortaleza, onde o menino de 14 anos de idade foi baleado por um policial militar, no dia 13 de setembro de 2019.

Tânia de Brito, mãe de Juan, diz aguardar ansiosa pelo momento:  "O que eu busco é Justiça. Peço a Deus força e coragem para chegar até lá". Há duas semanas, Tânia foi informada pelas autoridades sobre a realização da reconstituição. Para ela, este momento deve ser um 'divisor de águas' e elucidar o fato.

"Um ano e nove meses já sem meu filho e o processo parado. Enquanto isso quem tirou a vida do meu filho continua trabalhando. Para ele a vida do meu filho nao valia nada, para mim vale muito. A reconstituição vai provar que ele atirou no meu filho por pura maldade", diz a mulher se referindo ao soldado que efetuou os disparos que atingiram Juan.

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Legenda: O menino morreu aos 14 anos de idade

A reportagem apurou que por volta das 19h, ruas no entorno da Praça do Mirante já estavam bloqueadas por viaturas da PMCE para dar início à reconstituição. Também devem participar da reprodução a Perícia Forense do Ceará (Pefoce), Ministério Público do Ceará (MPCE) e Controladoria Geral de Disciplina dos Órgãos de Segurança Pública (CGD).

Caso

Juan estava acompanhado dos amigos em uma reunião na Praça do Mirante, ponto de encontro de jovens no Vicente Pinzón. Por volta das 22h30, policiais militares que patrulhavam no local disseram ter notado "indivíduos em atitude suspeita" e decidido realizar a abordagem.

À época do fato, a PMCE afirmou que “algumas dessas pessoas resistiram e começaram a arremessar pedras contra a composição”, e, neste momento, o soldado efetuou “disparos para o chão”, que atingiram o adolescente. A mãe da vítima sustenta que a ação dos agentes foi irresponsável.

Ele não atirou pro chão. Meu filho não estava deitado no chão, estava em pé. Pegou na cabeça dele. Eu sou mais uma vítima deste tipo de ação da Polícia"
Tânia Brito
Mãe do Juan

O soldado autor do disparo foi identificado e chegou a ser detido no Presídio Militar. A identidade do policial foi mantida sob sigilo por parte da Corporação. Não há informações atualizadas sobre afastamento do militar das suas funções.

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