Mais um servidor é preso por suspeita de integrar esquema de venda ilegal de carros do Governo do CE

Um mandado de busca e apreensão também foi cumprido pela Polícia Civil na sede da Seplag, nesta terça-feira (2)

Escrito por Emanoela Campelo de Melo, emanoela.melo@svm.com.br

Segurança
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Legenda: A Delegacia de Roubos e Furtos de Veículos e Cargas (DRFVC) é responsável pela investigação do caso
Foto: Fernanda Siebra

Mais um servidor terceirizado foi preso nesta terça-feira (2), sob suspeita de participar de uma quadrilha que vendia ilegalmente veículos de posse do Governo do Ceará. Antônio Vieira da Silva Neto foi detido por força de mandado de prisão expedido pela Justiça Estadual.

A reportagem do Diário do Nordeste apurou que o servidor é terceirizado e lotado na Secretaria do Planejamento e Gestão do Ceará (Seplag), onde também é cumprido um mandado de busca e apreensão pela Polícia Civil do Ceará (PC-CE) nesta terça (2). Neto atuava na Célula de Patrimônio da Seplag e é suspeito de receber cerca de R$ 5 mil por cada automóvel comercializado pela quadrilha.

Na última semana, outros três homens foram presos sob suspeita de atuarem no esquema: dois empresários, identificados como Thiago Silva Nunes e Denis Vinícius Rodrigues Xavier, além do servidor João Paulo Pontes Vieira. A Seplag informou que João Paulo foi desligado das funções no dia da prisão. 

A Delegacia de Roubos e Furtos de Veículos e Cargas (DRFVC) é responsável pela investigação. A reportagem apurou que a Polícia suspeita "de mais servidores envolvidos”. As autoridades chegaram aos nomes dos suspeitos após duas Hilux serem furtadas do pátio da Secretaria das Cidades.

A defesa de Antônio Vieira da Silva Neto não foi localizada para comentar a prisão. A reportagem aguarda resposta da Secretaria do Planejamento e Gestão do Ceará sobre o cumprimento dos mandados judiciais.

[ATUALIZAÇÃO 14H44]
Após publicação da matéria, a Seplag emitiu nota informando ter tomado as medidas administrativas cabíveis, "devolvendo o funcionário à empresa terceirizada que presta serviços ao Estado".

 

COMO FUNCIONA O ESQUEMA

No último dia 20 de julho, os veículos desapareceram do pátio da Secretaria. O funcionário terceirizado suspeito de participar da ação teria, de acordo com documentos obtidos pela reportagem, premeditado toda a ação e feito o primeiro contato com os compradores. 

Conforme versão de Thiago Silva, foi o servidor quem o procurou informando que teria uma D20, uma Ranger e duas Hilux para vender.

O homem teria dito que ao empresário que os veículos não dariam problema "porque não estavam no inventário dos carros para serem leiloados pelo Estado".

De acordo com Thiago, ele tentou baixar o preço, mas o servidor em questão disse que não tinha autorização para mexer no valor, porque tinha um chefe participando do esquema. Foi então que Thiago procurou Denis Vinicius e ofertou as duas Hilux.

Thiago teria ficado com R$ 10 mil por intermediar compra e venda, enquanto a liberação dos carros ficava a cargo do servidor, com acesso ao pátio da Secretaria. Na data do furto, segundo documentos obtidos pela reportagem, o colaborador teria pedido aos comparsas que esperassem o zelador sair do prédio, para que ele não percebesse a retirada dos automóveis.

Mesmo com os cuidados, uma testemunha presenciou no momento em que os carros foram levados por um guincho, conforme as investigações. Com a placa do guincho, a Polícia conseguiu rastrear a localização e chegou ao motorista. O condutor contou que foi contratado apenas para realizar o frete e que os dois carros foram deixados em uma sucata.

Ele acompanhou os policiais até o endereço da sucata, onde as autoridades encontraram as Hilux já em processo de desmanche. Denis, o proprietário do estabelecimento foi interrogado. De acordo com os policiais civis, na primeira versão, ele disse ter retirado os carros no dia 20, por meio de uma pessoa identificada como 'Tiago', sob pagamento do valor de R$ 30 mil.

A Polícia afirma ter constatado contradições na fala de Denis e o autuou em flagrante por receptação. Na versão do proprietário da sucata, foi Thiago quem ordenou o desmanche. A ideia, segundo os investigadores, era cortar a numeração do chassi, motor e sinais identificadores dos veículos e, em seguida, devolvê-los ao comparsa.

O gestor de patrimônio da Secretaria das Cidades do Estado do Ceará prestou declarações sobre o sumiço das duas Hilux. Segundo ele, os carros estavam estacionados há mais de dois anos dentro de uma área de segurança, no estacionamento de veículos da Seplag, dentro do Centro Administrativo do Cambeba.

A Polícia pediu ao Judiciário que as prisões em flagrante dos suspeitos fossem convertidas em preventiva, sob justificativa de garantir a ordem pública.

APURAÇÃO

A defesa de Denis é representada pelo advogado Túlio Magno. O advogado sustenta que não há requisitos para a permanência da prisão e que seu cliente colaborou com a investigação, dando os esclarecimentos solicitados.

"As acusações lançadas sobre o Denis são prematuras e irresponsáveis, porque produzidas sem a mínima chance de qualquer explicação. Em verdade, Denis foi conduzido a erro pelo servidor público, que garantiu inexistir qualquer ilegalidade na aquisição das duas sucatas veiculares em questão, inservíveis e em desuso, sob a promessa de que em quinze dias todos os trâmites e formalidades lhe seriam repassados", disse Túlio Magno.

Ainda conforme a defesa, a acusação foi irresponsável "sobretudo por ter inobservado toda uma trajetória de vida proba por parte do Denis, empresário exemplar, emissor de notas fiscais em seus negócios, que jamais teve qualquer envolvimento com o ilícito, jamais tendo figurado sequer em outra investigação policial. Cremos no bom senso do Judiciário, e que no transcorrer do processo tudo será esclarecido".

Já a defesa de Thiago Silva afirma que o empresário "é inocente e provará no decorrer da instrução criminal.

A reportagem entrou em contato com a Secretaria das Cidades e com a Secretaria do Planejamento e Gestão (Seplag). A Secretaria das Cidades informou que o servidor em questão é lotado na Seplag.

Por sua vez, a Seplag disse ser de responsabilidade da outra Pasta responder sobre o caso, porque os carros em questão eram patrimônio de gerência da 'Cidades'. 

 

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