Facção tenta ampliar domínio em áreas no Litoral do Ceará para tráfico de drogas; PM frustra avanço

Dois suspeitos de liderarem esse deslocamento foram presos pela Polícia Militar, em Caucaia

Escrito por Messias Borges, messias.borges@svm.com.br

Segurança
Em um terreno baldio, foram apreendidos uma escopeta artesanal calibre 12 e 5 cartuchos do mesmo calibre
Legenda: Em um terreno baldio, foram apreendidos uma escopeta artesanal calibre 12 e 5 cartuchos do mesmo calibre
Foto: Reprodução

Uma facção criminosa cearense tem investido na ocupação do Litoral Oeste do Ceará, para tentar ampliar o domínio dos territórios para o tráfico de drogas. No entanto, o avanço tem sido frustrado por ações policiais. Dois suspeitos de liderarem esse deslocamento foram presos pela Polícia Militar do Ceará (PMCE), em Caucaia, nesta semana.

A última prisão ocorreu na manhã da última quinta-feira (30). Jair Borges Rodrigues Filho, de 27 anos, foi preso em flagrante no bairro Munguba 2 (próximo ao Icaraí), após ser avistado por uma equipe da Força Tática da PMCE, em um terreno baldio.

No local, foram apreendidos uma escopeta artesanal calibre 12 e 5 cartuchos do mesmo calibre. O suspeito já respondia a 3 homicídios, porte ilegal de arma de fogo de uso permitido e receptação.

Segundo o comandante do 12º Batalhão de Polícia Militar (BPM), tenente-coronel Hideraldo Bellini, Jair Filho havia assumido há três dias o lugar de liderança na ocupação do território que era de Ives Derick de Andrade Barbosa, conhecido como 'Terrorista', 22, preso na última segunda-feira (27), na Tabuba, também em Caucaia.

Bellini afirma que o deslocamento da facção acontece de Fortaleza para as cidades do Litoral Oeste, como Caucaia: "Tiveram muitas operações na região litorânea, na Tabuba, Icaraí, Cumbuco. E eles perderam território, porque a gente fez muita prisão. Eles ficam vindo da Barra do Ceará, da área do Pirambu, para tentar fixar aqui e não perder território".

Outra facção fez movimento contrário

O Diário do Nordeste noticiou, em maio deste ano, que outra organização criminosa cearense - dissidente de uma facção de origem carioca - realizava um movimento contrário, ao sair de Caucaia para disputar territórios em Fortaleza.

A reportagem apurou, com uma fonte de uma vinculada da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS), que a nova facção cearense, nascida na Caucaia, migrou para regiões como o Grande Pirambu e a Grande Messejana, em Fortaleza, para brigar com antigos comparsas - da facção carioca.

Os grupos que se tornaram rivais travaram conflitos sangrentos em Fortaleza. Em uma dessas batalhas ocorreu a Chacina da Sapiranga, que deixou cinco mortos, na madrugada de 25 de dezembro (em pleno Natal) do ano passado. Conforme as investigações policiais, integrantes da facção dissidente cearense executaram antigos comparsas, ligados ao grupo oriundo do Rio de Janeiro.