Senadores cearenses participam de audiência com Sergio Moro na CCJ

Tasso Jereissati e Eduardo Girão destacaram o trabalho da operação Lava Jato no combate à corrupção; Cid Gomes sugeriu a instauração de CPI para apurar o conteúdo das mensagens vazadas

Legenda: O depoimento de Moro visa esclarecer a troca de mensagens sobre procedimentos e decisões em processos da operação Lava Jato
Foto: Foto: Gabriel Matos/Senado Federal

Senadores cearenses participam nesta quarta-feira (19) da audiência pública com o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. O depoimento de Moro visa esclarecer a troca de mensagens, por meio do aplicativo Telegram, entre ele e o procurador Deltan Dallagnol sobre procedimentos e decisões em processos da operação Lava Jato.

O senador Tasso Jereissati (PSDB) foi o primeiro dos senadores cearenses a se manifestar na audiência com Sergio Moro, ainda na parte da manhã. Em suas considerações, o senador elogiou o trabalho da operação Lava Jato no combate à corrupção, o que classificou como um marco histórico da vida pública brasileira. O tucano, no entanto, apontou que a operação cometeu "abusos" durante sua execução, como por exemplo durante operações de buscas e apreensões.

Tasso ainda afirmou que é preciso esclarecer a normatização de crimes cibernéticos e a licitude de provas obtidas por meio destes.

Ao deixar a sessão, o senador avaliou o debate ocorrido até então na audiência pública. "Há muita paixão envolvida nisso. Os fatos são bastante sérios e relevantes. A Lava Jato é uma instituição importantíssima para a história do Brasil e, por causa disso, as gravações que foram feitas do ministro Sergio Moro precisam ser tratadas com mais profundidade e menos paixão, mais seriedade e objetividade", apontou o senador.

Em sua participação na audiência, o senador Cid Gomes (PDT) apontou que o melhor encaminhamento da situação está nas mãos do Congresso. Para o parlamentar, duas questões que envolvem o tema debatido hoje devem ser destacadas: como garantir a segurança de conversas pessoais em meios eletrônicos e a existência de um suposto conluio de seguimentos da Justiça e do Ministério Público, que deveriam manter uma postura imparcial.

Cid ainda avaliou as declarações de Sergio Moro na CCJ. "Se preparou para vir aqui. Repete sempre algumas frases. Tenta se escudar no combate à corrupção - que é uma questão demandada por toda a população - para não explicar como se travaram as relações de um juiz com umas das partes interessadas no processo", afirmou o senador.

O pedetista afirmou que a possibilidade de Sergio Moro deixar o cargo de ministro é "uma questão de foro íntimo", mas defendeu a instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar as conversas vazadas.

 O senador Eduardo Girão (Podemos) compareceu à audiência no período da tarde. Mais cedo, declarou apoio ao ministro Sergio Moro. Ele exaltou o papel da Operação Lava Jato como um "pilar" no combate à corrupção no Brasil e afirmou que o vazamento das mensagens envolvendo o ministro não deve desestabilizar o governo.

"A operação Lava Jato está fazendo uma grande limpeza no país, um combate à corrupção jamais visto. Então, eu acredito que a operação continua forte e que são ataques o que está acontecendo", afirmou o Girão.

O senador ainda afirmou que o conteúdo das mensagens precisa ser analisado para esclarecer se algum "equívoco" foi cometido pelo ex-juiz e membros do Ministério Público, mas garantiu que vê as conversas de "forma republicana". "Eu vejo que são pessoas que querem ajudar a Nação, trocando informações de interesse do país", apontou Girão.


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