Íris ficou em frente dos ex-assessores

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Redação producaodiario@svm.com.br
Legenda: COM AS FAIXAS o registro da agressividade dos adversários da deputada Íris Tavares
Foto: Neysla Rocha

A deputada Íris Tavares (PT), na última sexta-feira, perdeu uma excelente oportunidade de fazer de fato, sem falácia e com a veemência que a questão exige, sua defesa no caso da acusação que lhe imputa a apropriação indébita de parte dos salários de alguns dos seus ex-assessores, motivo das representações do PRP, agora arquivada, e do PSDC já no Conselho de Ética Parlamentar da Assembléia.

Íris estava frente a frente com os ex-assessores denunciantes, separados apenas pelo espaço que divide o plenário das galerias do Legislativo. Eles se dirigiam à deputada com palavras de ordem e gestos que indicavam rapinagem. Ela em nenhum momento disse para os colegas deputados que estava diante de inescrupulosos, falseadores da verdade e de documentos, nem tampouco exibiu alguma prova de que realmente esteja sendo uma vítima daquelas pessoas que com ela trabalharam ao longo de alguns anos e gozavam da sua confiança.

Poderia até ser diferente. Mas, feliz ou infelizmente, hoje no Brasil é assim: o ônus da prova é do agente público acusado e não de quem o acusa. Ao longo de todo este tempo em que a deputada é citada no caso de apropriação de parte dos salários de ex-assessores, ela só tem dito que é vítima de complô político pela eficiência do mandato que desempenha. Pode até ser verdade. Mas só dizer que é vítima não basta. Ela tem que provar que realmente o é. E isto ela ainda não o fez.

Trabalhar pela não instauração do processo, mesmo que ele tivesse o defeito da origem, como corretamente apontou o ouvidor, não resultou em benefício para a deputada. Ela própria, consciente como diz estar de sua inocência, deveria ter perseguido o caminho mais fácil de desconstituir as acusações que é, indiscutivelmente, a exibição de todas as provas de que dispõe no foro competente, no caso a Comissão de Ética da Assembléia.

As manifestações contrárias à deputada na Assembléia dão bem uma demonstração do que lhe aguarda o curso do processo que o Conselho de Ética há de instaurar por conta da representação feita pelo PSDC. Este é diferente daquele requerido pelo PRP de Juazeiro do Norte. Agora, não haverá mais um momento para discutir se o denunciante é competente ou não. Agora, só e tão-somente, ao longo de alguns meses discutirão os deputados processantes com os documentos e testemunhos de que tiverem conhecimento, e a sociedade, com as informações sobre o curso da investigação, se a deputada é culpada ou inocente. Se culpada perde o mandato. Se inocente continua deputada.

Edison Silva