Bolsonaro abre sessão da ONU com defesa da política ambiental

Em pronunciamento na abertura da 75ª sessão da Assembleia Geral da ONU, presidente diz que o Brasil é "vítima" de campanha de desinformação sobre Amazônia e Pantanal, cita "interesses escusos" e exalta agronegócio do País

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Legenda: Presidente Jair Bolsonaro, durante gravação de discurso para a 75ª Assembleia Geral da ONU
Foto: PR

O presidente Jair Bolsonaro garantiu, ontem, em seu pronunciamento na abertura da 75ª sessão da Assembleia Geral da ONU, que o Brasil "é vítima de uma das mais brutais campanhas de desinformação sobre a Amazônia e o Pantanal", regiões atualmente devastadas por incêndios.

"A Amazônia brasileira é sabidamente riquíssima. Isso explica o apoio de instituições internacionais a essa campanha escorada em interesses escusos que se unem a associações brasileiras, aproveitadoras e impatrióticas, com o objetivo de prejudicar o Governo e o próprio Brasil", disse Bolsonaro em um discurso virtual pré-gravado em razão da pandemia de coronavírus.

O presidente afirmou que grande parte dos incêndios que assolam a floresta amazônica e o Pantanal não têm origem criminosa e os atribuiu às queimadas que, segundo ele, são praticadas por indígenas e pequenos agricultores. "Os incêndios acontecem praticamente nos mesmos lugares, no entorno leste da floresta, onde o caboclo e o índio queimam os seus roçados em busca de sua sobrevivência em áreas já desmatadas", disse.

Ele fez particular referência à campanha "Defundbolsonaro.Org", lançada no início deste mês por várias ONGs, pedindo que qualquer investimento no Brasil seja vinculado a compromissos firmes para a preservação da Amazônia.

O presidente Bolsonaro afirmou que, "apesar da crise mundial, a produção rural não parou. O homem do campo trabalhou como nunca, produziu, como sempre, alimentos para mais de 1 bilhão de pessoas. O Brasil contribuiu para que o mundo continuasse alimentado".

"Garantimos a segurança alimentar a um sexto da população mundial, mesmo preservando 66% de nossa vegetação nativa e usando apenas 27% do nosso território para a pecuária e agricultura. Números que nenhum outro país possui", garantiu.

Outro lado

Em nota, a organização Observatório do Clima comentou o discurso do presidente. "Ao arrasar a imagem internacional do Brasil como está arrasando nossos biomas, Bolsonaro prova que seu patriotismo sempre foi de fachada", ressaltou Marcio Astrini, secretário-executivo da organização.

Segundo Astrini, o presidente "acusou um conluio inexistente entre ONGs e potências estrangeiras contra o País, mas, ao negar a realidade e não apresentar nenhum plano para os problemas que enfrentamos, é Bolsonaro quem ameaça nossa economia".

Venezuela

Em seu segundo discurso na ONU, Bolsonaro mais uma vez qualificou o governo de Nicolás Maduro na Venezuela como uma "ditadura".

Ele mencionou a Venezuela para lembrar do derramamento de óleo que, em agosto de 2019, afetou nove estados do Nordeste. "Em 2019, o Brasil foi vítima de um criminoso derramamento de óleo venezuelano, vendido sem controle, acarretando severos danos ao meio ambiente e sérios prejuízos nas atividades de pesca e turismo", disse Bolsonaro.

Pronunciamento divide opiniões

O discurso do presidente Jair Bolsonaro repercutiu entre a classe política brasileira. Governistas viram na fala do presidente uma defesa consistente sobre as questões ambiental e da soberania nacional. Políticos oposicionistas questionaram a veracidade dos fatos citados por Bolsonaro. Já o líder do Governo na Câmara, Ricardo Barros, elogiou o desempenho de Bolsonaro. O deputado federal André Figueiredo (PDT-CE), líder da oposição na Câmara, chamou o presidente de mentiroso. "Bolsonaro foi à Assembleia-Geral da ONU para mentir", afirmou.

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