Associação dos Municípios critica saída de cubanos do Mais Médicos

ABM divulgou carta aberta ao presidente eleito

A Associação Brasileira dos Municípios (ABM) divulgou na noite dessa quarta-feira uma carta aberta ao presidente eleito, Jair Bolsonaro, pedindo que ele tome "ações imediatas" para reverter a decisão do governo cubano de retirar-se do programa Mais Médicos. O pedido, segundo o texto, é feito em nome dos prefeitos do Brasil. 

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Na carta, a ABM argumenta que graças ao programa muitos municípios brasileiros puderam oferecer atendimento médico básico pela primeira vez para toda sua população. A associação afirma que o programa foi criado atendendo a uma demanda dos municípios que não conseguiam contratar médicos para determinadas regiões, como periferias das regiões metropolitanas, distritos indígenas, pequenas cidades e regiões distantes dos grandes centros urbanos.

"Particularmente os cubanos têm atuado nas periferias das regiões metropolitanas, nos distritos indígenas, nas pequenas cidades e em regiões distantes dos grandes centros urbanos. São lugares, senhor presidente eleito, que viram, muitas vezes, pela primeira vez um médico. São municípios e regiões em que os médicos brasileiros dificilmente aceitavam ou aceitarão atender, mesmo a prefeitura pagando salários muito mais altos, com muitas dificuldades para fazê-lo", diz o texto.

Segundo a associação, 700 municípios do país tiveram médico pela primeira vez com o programa Mais Médicos. Outro dado exposto no texto é que em cerca de 1100 municípios o programa é responsável por 100% da cobertura da Atenção Básica. A ABM afirma ainda que 1.575 municípios só possuem médicos cubanos do programa, e que esses municípios são localizados em regiões que foram oferecidos antes a médicos brasileiros, que não aceitaram trabalhar.

"Nesse sentido, vimos apelar ao presidente eleito que busque reverter a decisão anunciada pelo Ministério da Saúde Publica de Cuba de terminar a parceria com a OPAS para envio de médicos ao Brasil",  conclui o texto.

Crítica

Bolsonaro, em seu perfil no Twitter, voltou a fazer críticas sobre a saída de Cuba do programa Mais Médicos. 

"Atualmente, Cuba fica com a maior parte do salário dos médicos cubanos e restringe a liberdade desses profissionais e de seus familiares. Eles estão se retirando do Mais Médicos por não aceitarem rever esta situação absurda que viola direitos humanos. Lamentável!", escreveu o presidente. 

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