Professores podem discordar?

Os professores serão obrigados a concordar com o retorno às aulas presenciais sem ao menos serem vacinados?

Davi Marreiro
Legenda: Davi Marreiro, professor
Foto: Arquivo pessoal

Ao que tudo indica, nesta atual conjuntura política de nosso País, a base aliada do governo rigorosamente assumiu uma “postura topiária” contra seja quem for seu discordante, e nitidamente não faz questão nenhuma de esconder essa silhueta nocente. Com isso, qualquer vislumbre de icnografia discordante deverá ser podado.

Em outros termos, tudo aquilo que desarmoniza o “econômico" projeto paisagista do jardineiro é considerado erva danosa e precisa ser arrancada dos canteiros suspensos nacionais.

Desta vez, o alvo da decotadeira confederada foram os professores das escolas públicas brasileiras, afinal, conforme a desastrosa declaração do deputado federal Ricardo Barros (Progressistas-PR), líder do governo na Câmara: “só professor não quer trabalhar na pandemia”. 

Classificar essa declaração apenas como desrespeitosa é eufemismo! Uma vez que se trata de uma tentativa ascorosa de instigação pública abusiva. Contudo, estribados nessa espantosa bestialidade proferida, precisamos informá-lo de que, “com recursos limitados, os professores fizeram muito, trabalharam intensamente e financiaram do próprio bolso, durante o período de, no mínimo um ano, os meios necessários que possibilitaram sua prática docente.” 

Enquanto isso, no outro lado do jardim, os supernos topiários indeferiram, integralmente, o Projeto de Lei nº 3.477/20, que previa o acesso à internet, com fins educacionais, a alunos e professores da rede pública. Como se isso já não bastasse, agora os professores serão obrigados a concordar com o retorno às aulas presenciais sem ao menos serem vacinados? É possível discordar destas decisões, ou não deveríamos mostrar-nos tão críticos? 

Falar de vacina em casa de imunodeprimidos tornou-se contrário à boa educação, e marcar, no meio viridário, uma nítida diferença entre a argila e o esmeril não parece conveniente. 

De acordo com os argumentos dos hortelões da base aliada do governo: “creia ou te odiarei, se não tens minha religião, então não tens religião nenhuma; terás de ser um motivo de horror para teus vizinhos, tua cidade. Ah, e quem tiver alguma ideia sobre verdes democracias orgânicas, esse pode muito bem calar o bico!".

Davi Marreiro
Professor da rede pública