Greve: queixudos e queixosos

Escrito por Davi Marreiro ,
Consultor pedagógico
Legenda: Consultor pedagógico
“Quanto mais vazia e sem contrapeso está a alma, mais facilmente ela cede sob a carga da primeira persuasão. Eis porque as crianças, o vulgo, e os doentes estão mais sujeitos a serem conduzidos pelas orelhas.” Como exemplo podemos usar a afirmação de um ‘cientista’ político, que classificou a greve dos professores de instituições federais como uma busca por privilégios, me lembra muito as espumas do mar! Tal qual uma bolha de ar presa na superfície da água, essa visão superficial e passageira não tem peso ou contrapeso.
 
Principalmente quando tais borbulhas reluzentes, translúcidas e polarizadas culpabilizam os professores pelos índices de analfabetismo infantil e pela evasão escolar no ensino médio. Sobre isso, Diria Galsworthy: “o idealismo de uma pessoa cresce na proporção direta da sua distância ao problema.”
 
Privilégios? Segundo o especialista político, a recomposição orçamentária das instituições federais e a recomposição salarial dos docentes são apenas regalias. Talvez sejam, isso quando considerada a perspectiva empregada no Dicionário de “Bierce” onde “privilégio é ser autorizado a respirar, sem ter de subornar alguém primeiro.”
 
Um aliciamento desnecessário, uma vez que, aparentemente, queixudos e queixosos compartilhavam dos mesmos ideais. Contudo, assim como em 2012, durante a última grande greve, observamos que a estrutura funcional da educação pública, frequentemente acusada por estar sempre alinhada com as diretrizes e políticas dos governos progressistas, demonstra novamente que não é tão controlável como muitos alegam. Sem superficialidades, ou necessidade alguma de espumas da oposição, essa greve descortinou prioridades, desmascarou personagens   e dividiu aliados, além disso pôs um fim a qualquer deslumbramento romanesco, tal e qual, Dayse decepcionou-se com o grande Gatsby!
 
Num cenário onde a oposição borbulha, o governo e seus aliados se dividem, e os sindicatos estão em conflito, uma “guerra” emerge permeada unicamente pela indignação econômica. Enquanto isso, os mais desprivilegiados continuam sendo deixados de fora, dessarte e sem sorte, permanecem excluídos do ensino superior público.
 
Davi Marreiro é consultor pedagógico
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