Escritores e revisores

Graciliano Ramos (1892-1953) , autor de obras clássicas como “Vidas Secas” 1938) e “Memórias do Cárcere” (publicada postumamente, em 1953), entre tantas outras, também foi revisor

Escrito por Gilson Barbosa ,
Jornalista
Legenda: Jornalista

O avanço meteórico e irreversível das novas tecnologias tem deixado uma longa esteira de transformações na vida moderna, em todos os sentidos. No âmbito da literatura e do jornalismo, por exemplo, a atividade da revisão de textos encontra-se praticamente extinta. São poucos, na atualidade, os periódicos que ainda mantêm uma pequena equipe de revisores de textos, bem como, no contexto editorial, idêntico fenômeno se repete entre as empresas do setor. Todos os que, em algum momento de suas vidas, desempenharam a atividade de revisor, como este que ora escreve, sabem da importância e da necessidade de tal trabalho.

Deste resulta que os textos produzidos por jornalistas, escritores e outros profissionais possam chegar aos leitores com qualidade e, de preferência, sem os erros crassos que, infelizmente, com a gradual extinção da profissão, têm caracterizado muito do que se lê neste país. A propósito, as biografias de muitos escritores brasileiros comprovam que, caminhando lado a lado com suas inteligências criadoras, a revisão de textos foi fundamental em suas carreiras, visto que nomes importantes de nossa literatura foram, igualmente, revisores.

Entre estes encontra-se nosso maior escritor, Joaquim Maria Machado de Assis (1839-1908), Em 1858, Machado era revisor e colaborador , na Livraria Paula Brito, do Rio de Janeiro, do periódico Marmota Fluminense, exercendo também, no ano seguinte, já no jornal Correio Mercantil, da mesma cidade, as duas funções.

Na mesma linha, o alagoano Graciliano Ramos (1892-1953) , autor de obras clássicas como “Vidas Secas” 1938) e “Memórias do Cárcere” (publicada postumamente, em 1953), entre tantas outras, também foi revisor. Entre 1914 e 1915, ele atuou como revisor de provas tipográficas nos jornais Correio da Manhã, A Tarde e O Século, todos da capital fluminense. Mais recentemente, o poeta maranhense Ferreira Gullar (1930-2016), autor de “Poema Sujo” (1975), um de seus trabalhos mais importantes, também foi revisor em publicações como o jornal Diário Carioca e as revistas O Cruzeiro e Manchete, no Rio de Janeiro.

Estes e outros autores nacionais, além de terem legado à posteridade romances, contos e poemas memoráveis, fizeram-no com extremo capricho, graças ao cuidado que tiveram com o correto uso do idioma. Através deles, meu tributo a todos os revisores!

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