Eleição e memória

Escrito por Valdélio Muniz ,
Jornalista. Analista Judiciário (TRT7) e Mestrando em Direito (Uni7)
Legenda: Jornalista. Analista Judiciário (TRT7) e Mestrando em Direito (Uni7)

A temporada de abraços, sorrisos, apertos de mão, inauguração de obras (de um lado) e acirramento de críticas às gestões municipais (do outro) já começou e, com ela, uma rotina mais movimentada das forças políticas locais e de acirramento de ânimos: 2024 é ano de eleições municipais, aquelas que mais de perto tocam os eleitores.

Quem já morou em cidades interioranas, sobretudo, sabe o quanto é difícil não se envolver porque, para muitos, parece não existir meio termo: ou está “conosco” ou está “contra nós”! A política, em cidades (e mentes) pequenas, parece ser feita não com o coração ou com a razão, mas com o fígado, como se governar fosse função hepática.
Amizades se destroem, outras falsas (interesseiras) se constroem. E, o mais curioso: inimigos declarados no passado se reaproximam como se fossem amigos de infância enquanto antigos aliados passam a ocupar polos opostos como se nunca tivessem estado juntos. Tudo, segundo dizem alguns, porque a política é dinâmica. Para outros, as peças desse xadrez se movimentam a bel prazer porque apostam na falta de memória do eleitor.

Mas, será que se trata apenas de esquecimento ou há também um quê de autoengano e masoquismo eleitoreiro frente às campanhas de candidatos normalmente conhecidos por todos? Como se explica que um simples discurso bem produzido ou uma maquiagem de última hora de pessoas e cidades seja capaz de apagar desastres políticos protagonizados pelas mesmas personagens?

Como esquecer, diante de um último ano “dinâmico” de gestão, três anos de paralisia administrativa? Como acreditar que quem já teve chance antes e não fez o que os eleitores precisavam e esperavam, tendo nova oportunidade, irá se redimir? É importante, no mínimo, verificar se o candidato continua cercado dos mesmos auxiliares de antes e se não se tratam, igualmente, de meros sanguessugas da máquina pública.

É preciso que os eleitores encarem o papel de gestores públicos e de legisladores e fiscais da administração com a seriedade que estas funções exigem, deixando em segundo plano laços familiares e afetivos e examinando, prioritariamente, o preparo e o compromisso real de cada candidato e de seus aliados e o que eles fizeram nas oportunidades anteriores. Voto arrependido custa muito caro a todos!

Valdélio Muniz é jornalista

Consultor pedagógico
Davi Marreiro
16 de Abril de 2024