Cobots: alimentação automatizada de máquinas é caminho para a revolução industrial

Escrito por Bruno Zabeu ,
Bruno Zabeu é gerente de Desenvolvimento de Negócios da Universal Robots na América do Sul, empresa dinamarquesa líder na produção de braços robóticos industriais colaborativos
Legenda: Bruno Zabeu é gerente de Desenvolvimento de Negócios da Universal Robots na América do Sul, empresa dinamarquesa líder na produção de braços robóticos industriais colaborativos

As máquinas possuem um papel fundamental nos mais diversos tipos de indústrias, principalmente por sua capacidade de elevar a produtividade. De acordo com uma pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI), 76% das grandes empresas que fizeram investimentos em 2020, adquiriram máquinas ou equipamentos. Porém, ainda que seja essencial para as organizações investir nisso, há vários relatos de incidentes envolvendo trabalhadores que se machucaram enquanto trabalhavam nas indústrias.

Segundo dados do Observatório de Segurança e Saúde no Trabalho da Secretaria Especial do Trabalho e do relatório Radar SIT do Ministério do Trabalho e Previdência, a cada 49 segundos um trabalhador se machuca no Brasil. Em 2021, foram registrados 571,8 mil acidentes de trabalho, o que representa uma média de 1.566 diariamente.

Além dos problemas ergonômicos que podem ser ocasionados pelas tarefas repetitivas e monótonas, existem muitos riscos significativos relacionados à manutenção de maquinários pesados. Isso porque a alimentação manual desses equipamentos envolve geralmente espaços inadequados de trabalho, que são muitas vezes pequenos e locais com pontas cortantes - além do fato de que supervisões e vistorias realizadas por horas a fio e com pouca luz natural também necessitam de um grande esforço mental e físico.

Outro ponto é que à medida que os operadores se deslocam várias vezes para dentro de uma determinada máquina, também podem forçar a lombar, ombros, punhos e outras partes do corpo. Todas essas questões apresentam desafios que precisam ser abordados e superados pela indústria, ainda mais em tempos nos quais os trabalhadores estão cada vez mais conscientes da importância de se manterem saudáveis.

Nesse sentido, os cobots surgem como uma alternativa que permite retirar os colaboradores dessas tarefas potencialmente perigosas, realocá-los para atividades mais estratégicas e evitar o turnover (taxa de rotatividade de funcionários). Seu uso traz ainda mais produtividade, qualidade para os processos e diversos outros benefícios relacionados à segurança do trabalho, causando uma verdadeira revolução na realidade industrial.

Além disso, eles são mais leves e flexíveis do que as máquinas tradicionais e quando o assunto é a carga/descarga, que costuma ser um trabalho altamente repetitivo, chato e em um ambiente normalmente sujo e cheio de pó, os benefícios também são evidentes.

Antes, apenas empresas que tinham produção seriada podiam contar com este tipo de automação. No entanto, atualmente, já existem cobots atuando em prensas, dobradeiras, CNCs, entre outras máquinas de alto mix. Além disso, eles podem fornecer monitoramento e análise em tempo real para os gestores, o que contribui para manutenções preventivas mais efetivas e, consequentemente, diminui a necessidade de ter paralizações por problemas nas máquinas.

Em um contexto tão tecnológico e inovador como o vivido atualmente, é inconcebível colocar a vida das pessoas em risco desnecessariamente. O que não quer dizer que as companhias precisam ir para o lado totalmente automatizado e repleto de dispositivos e tecnologias, mas também não devem ficar reféns de uma operação somente manual. A ideia é ter uma solução híbrida, e que o operador de máquina passe por uma capacitação simples e seja habilitado para operar o robô, reconfigurando-o sempre que necessário.

Portanto, o conceito dos cobots se tornou fundamental nessa e na próxima revolução industrial, e sua adoção mostra que as indústrias estão atentas à pauta ESG. Isso porque quando falamos de Environment, temos um robô que consome pouca energia e não possui consumíveis nas juntas como os clássicos, que precisam de graxa e troca de correias a cada 10 mil horas. Já no quesito Social, há a questão de tirar o operador de uma tarefa ingrata e, às vezes, desumana, para uma função mais nobre e satisfatória. E com relação à Governança, há toda uma questão de equiparidade de gênero e idade.

Portanto, à medida que as empresas incorporam novas tecnologias, a robótica colaborativa desempenha um papel crucial na transição para uma indústria mais sustentável e centrada no ser humano. Vale destacar, inclusive, que com a adesão global dos cobots, a tendência é que o setor industrial volte a atrair trabalhadores e crescer.

A chamada Indústria 5.0 não é apenas sobre avanços tecnológicos, mas também sobre a resolução dos desafios da sociedade. A colaboração entre seres humanos e máquinas se tornará uma característica central desse novo cenário industrial, e as empresas que não adotarem essa abordagem certamente ficarão para trás.

Bruno Zabeu é gerente de Desenvolvimento de Negócios da Universal Robots na América do Sul, empresa dinamarquesa líder na produção de braços robóticos industriais colaborativos

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