A luta dos povos indígenas

A aniquilação dos indígenas nacionais se dá, também, com a tentativa de abolir a sua cultura, história e memória viva

Escrito por Francisco Júnior Pankará ,
Defensor público do Estado do Ceará
Legenda: Defensor público do Estado do Ceará

Dar visibilidade à luta dos povos indígenas é importante para colocar luz em suas pautas e suas reivindicações. No Brasil, sempre existiu uma política estatal de desindianização, visivelmente mortal, como o que acontece com os Yanomamis, ou formalmente legal, como a recente Lei do Marco Temporal. Mas, apesar de todo o sangue derramado, há avanços, percebe-se que a luta está cada vez mais institucionalizada e enraizada na sociedade brasileira, pois há um movimento forte de retomada da consciência e do ser indígena.

A aniquilação dos indígenas nacionais se dá, também, com a tentativa de abolir a sua cultura, história e memória viva. Evitando a autoidentificação, criando estereótipos e folclorizando esses povos, que são tão diversos. Para no fim, apagar o ser indígena, apagar a nossa essência. Porém, felizmente, esse cenário vem mudando. Recentemente, foi constatado, pelo censo do IBGE de 2023, que nos últimos 10 anos o número de autodeclarados indígenas quase dobrou. Consequência da retomada do pertencimento étnico, conscientização do ser indígena, do entendimento da diversidade existente entre eles e de que não se pode ceder as políticas higienistas estatais. Mostra, no caso cearense, que apesar de já se ter veiculado que aqui não mais havia indígenas, a luta nunca cessou, só houve uma adequação ao momento. E assim como os indígenas se utilizaram dos catequizadores para sobreviver, da religião católica para perpetrar sua espiritualidade, eles sempre resistiram e agora retomam o ser indígena e seus territórios.

Repita-se, apesar da luta ainda ser difícil e custosa, ela vem avançando na direção certa. Devendo os não indígenas aderirem fortemente a ela, aproveitando para entender as consequências nefastas da política institucional de desindianização do Brasil. Que um país que esbulha as terras indígenas e dificulta a sua correta demarcação está em iminente colapso ambiental, que os povos originários desse país só têm lutado pelo direito de existir, de viver com seus costumes, cultura, conforme a ancestralidade que os rege. Portanto, se empenhem na causa e descubram o quão difícil é querer existir.

 


 

Flávia Marçal é advogada, doutora em Ciências Sociais e professora da UFRA |  Lucelmo Lacerda é doutor em Educação
Flávia Marçal | Lucelmo Lacerda
08 de Abril de 2024
Daniela Botelho é presidente da Associação Fortaleza Azul – FAZ e psicopedagoga
Daniela Botelho
06 de Abril de 2024
Christine Muniz é presidente da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia - Seção Ceará (SBOT-CE)
Christine Muniz
06 de Abril de 2024