200 Anos de Engels

Ele completa com Sancho Pança e o Dr. Watson o mais conhecido trio de coadjuvantes da História. Mas, ao contrário dos auxiliares de Dom Quixote e de Sherlock Holmes, foi abertamente revolucionário.

Frederico Engels teria feito 200 anos de nascimento no sábado, dia 28 de novembro. Biografias e eventos marcarão como sempre a data. 

Alguns talvez tentem desfazer uma imagem que ficou para a posteridade, às vezes literalmente, como pedra: em fotos de países do antigo bloco soviético não é incomum se ver em praças públicas uma efígie de três figuras, sendo as duas primeiras facilmente identificáveis, a juba de Leão de Karl Marx e a careca de Lênin. O barbudo desconhecido ao lado deles é Engels.

Nascido na antiga Prússia, filho de gente rica, Frederico subverteu a roda do destino e não morreu industrial alemão barrigudo, admirador do Kaiser e cercado de netos a brigar pela herança como seria talvez seu destino lógico. 

Desde cedo interessou-se pela miséria dos miseráveis e publicou aos vinte e cinco anos o estudo A Condição da Classe Operária na Inglaterra, o qual chamou a atenção de um jovem filósofo alemão que carecia então de um conhecimento maior de economia e sociologia. 

Karl Marx e Frederico Engels formaram uma dupla que só se desfez décadas depois, com a morte do primeiro, e sem grandes brigas entre eles. Algo inusitado, considerando como esses dois revolucionários eram briguentos. Os eventos a marcar o bicentenário sem dúvida se esforçarão em diferenciar Engels de seu parceiro mais célebre. 

Talvez falhem, no entanto, ao marcar o homem de vida anticonvencional, que nunca se casou formalmente e que vivia, segundo alguns, em discreto relacionamento poliamoroso com a companheira Mary Burns e com a cunhada mais jovem, Lídia.

Que neste evento se repense seu legado e que se aproveite o que dele se possa nos tempos de hoje.

Paulo Avelino

Administrador

 


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