Melhor saída para estudantes foi a carona compartilhada
Com pouco dinheiro e muitas aulas, eles resolveram dividir o carro e rachar o custo do combustível todo dia
Dividir com colegas o conforto e as despesas do veículo nos trajetos de ida e volta entre a casa e o local de estudo foi a forma que estudante de enfermagem Mylena Brito encontrou para continuar indo às aulas de carro. Residente no bairro de Monte Castelo, próximo a Avenida Sargento Hermínio e a rua Padre Anchieta, e estudando do outro lado da cidade, na Avenida Washington Soares, a jovem de 24 anos já não sabia mais como arcar com o preço da gasolina diante da elevação expressiva no preço do combustível nos últimos meses.
"Antigamente eu ia às aulas de ônibus, mas sofria bastante. Primeiro pela dificuldade de horários do transporte coletivo na região onde moro até a faculdade, a cada 40 minutos passava um ônibus; depois pela lotação excessiva dos veículos dessa linha; e também pela insegurança nas paradas. Cheguei a ser assaltada, sofri queda dentro dos coletivos. Então, minha mãe vendo tudo isso, resolveu me presentear com um carro em meu aniversário, no ano passado. Mas com as sucessivas altas no valor do combustível, eu não estava mais dando conta da despesa", conta a estudante.
> A vez do consumo baseado na colaboração
> Brechó vira opção mais vantajosa para clientes
A estudante revela chegou até ter medo de enfrentar os mesmos problemas no deslocamento até a universidade, enfrentados por ela no passado.
Grupo facilitou
Foi aí que Mylena descobriu um grupo no Facebook, que viabiliza o encontro de pessoas interessadas em conseguir carona entre a faculdade e diversas regiões da Cidade. "Postei meus horários e o valor para custear as despesas do transporte e, como eu tenho um horário cheio e regular diariamente, logo surgiram muitas pessoas interessadas. Nos dias de segunda e sexta-feira, meu carro está com lotação completa. Já de terça a quinta-feira, o carro enche apenas na volta. Para ida e volta, a ajuda de custo é de R$ 5,00. Quem precisa de carona só para ir ou só para voltar contribui com apenas R$ 3,00", resume a estudante.
Mylena conta ainda que resolveu definir valores diferenciados para ser justa com suas caronas, devido aos horários diferentes de cada um. "Elas apoiaram de imediato os valores", afirma.
A ajuda de custo, segundo ela, é paga diariamente pelos colegas, que procuram levar o valor exato para facilitar o troco. "Mas quando a gente não tem trocado, elas pagam no dia seguinte sem falta. E quando sou eu que não tenho o dinheiro do troco, elas ficam com crédito. A gente sempre se entende", diz.
Conforme Mylena Brito, os amigos de carona são de cursos diferentes, mas conversando foi possível organizar um horário para atender a todos.
"A gente aprendeu a se ajudar também em outros aspectos, além da colaboração financeira", afirma a futura enfermeira, que além de ter ganho companhia no percurso diário, afirma ter aumentado o seu ciclo de amizade na universidade.
Os atos de ajudar, dividir, cooperar são outros fatores que motivam a estudante a prosseguir com a iniciativa solidária de compartilhar seu Santana com as colegas em seu trajeto diário.
Mylena é defensora da carona amiga, independente do caráter econômico que essa ação representa para ela e para as caronas na atualidade.
Cidadania
"Noutras regiões do País e principalmente no exterior, as pessoas tem o hábito de oferecer carona simplesmente para ajudar, mesmo sem receber nada em troca, nem dinheiro para o combustível. Por enquanto, eu preciso dessa ajuda de custo. Mas mesmo quando eu não precisar mais, pretendo continuar com essa prática porque, além de colaborar com outras pessoas, poderei permanecer contribuindo para diminuir o caos no trânsito, que a cada dia piora na minha cidade. É uma questão de cidadania", resume a estudante, sobre a ação de continuar compartilhando o carro.