A vez do consumo baseado na colaboração
Pesquisa realizada pela Proteste, envolvendo 676 pessoas das cinco regiões do País, revelou que 88% delas já tiveram acesso a bens e serviços sem que houvesse necessariamente a aquisição de um produto ou a troca monetária entre as partes envolvidas no processo
Dividir o combustível numa carona amiga, economizar ao adquirir um produto ou serviço num site de compras coletivas, comprar ou vender objetos usados em bom estado de uso, trocar um serviço ou produto pela expertise de outra pessoa, ou simplesmente emprestar, compartilhar ou alugar algo que está sendo subutilizado. Muita gente já passou por uma ou mais dessas experiências sem saber que estava exercitando uma prática cada vez mais comum nos dias de hoje e que vem
ganhando impulso com a crise econômica no Brasil: o consumo colaborativo.
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Nesta modalidade, compartilhar, emprestar, alugar e trocar substituem o verbo comprar. O consumo colaborativo permite o acesso a bens e serviços sem que haja necessariamente a aquisição de um produto ou a troca monetária entre as partes envolvidas no processo. Tudo com o objetivo de poupar, de economizar.
Pesquisa realizada pela Proteste Associação de Consumidores, envolvendo 676 pessoas das cinco regiões do País, revela que 88% delas já participaram de alguma atividade relacionada ao consumo colaborativo. De acordo com os dados levantados pela Proteste, 32% dos entrevistados foram atraídos pela possibilidade de economizar.
Praticamente a metade (48%) dos entrevistados apontou a economia como estímulo para aderir à carona solidária e 76% afirmaram já terem vendido ou comprado
produtos usados.
Dentre os pesquisados que ainda não vivenciaram o consumo colaborativo, 59% disseram que desejam ter tal experiência em um futuro próximo.
Conforme a Proteste, as experiências colaborativas ligadas ao transporte e à acomodação são as mais frequentes. Do total de entrevistados, 33% já se hospedaram fora de um hotel e 25% já pegaram carona em algum trajeto ou dividiram o custo da gasolina com um colega de trabalho, por exemplo. Uma parcela de 20% dos entrevistados relataram ter participado ao menos uma vez de uma compra coletiva.
Para a coordenadora institucional da Proteste, Maria Inês Dolci, “as pessoas estão buscando formas alternativas de consumo para economizar. E isso começa a mudar o perfil do consumidor”. Segundo ela, a adoção do consumo colaborativo pode ajudar as famílias e consumidores em geral a pouparem, evitando gastos desnecessários, por meio da permuta, do compartilhamento.
“Essa já é uma prática comum em outros países e acabou se tornando uma questão cultural. Em países que enfrentaram guerras e outras situações difíceis, o consumo colaborativo já está enraizado. No Brasil foi que começou agora, mas a crise está
ajudando a impulsionar essa prática”, afirma.
Além de reduzir a carga de despesas, a iniciativa proporciona a divisão de consumo, a reutilização e o aproveitamento do que não se usa mais. Mas conforme Maria Inês Dolci, mesmo quem tem dinheiro, acaba ganhando ao aderir ao consumo colaborativo. “Porque consegue reduzir volumes, descartar o que não precisa e ainda permite colaborar com o outro e ter experiências que levam a uma mudança de percepção e de atitude”, argumenta.