Recessão mundial por coronavírus pode ser pior que 2009, alerta FMI

Fundo Monetário Internacional defendeu uma "resposta sem precedentes" à pandemia

Legenda: Paradas de atividades pioraam as perspectivas de crescimento global em 2020, advertiu FMI
Foto: Foto: AFP

A economia global está enfrentando danos econômicos "sérios" da pandemia de coronavírus que podem ser ainda mais custosos do que em 2009 e exigirão uma resposta sem precedentes, disse nesta segunda-feira a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva. 

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Em comentários aos ministros das Finanças do G20, ela alertou que, com grande parte do mundo enfrentando grandes paradas de atividades, as perspectivas de crescimento global em 2020 "são negativas" e previu "uma recessão pelo menos tão ruim quanto durante a crise financeira global ou pior. 

"Estamos prontos para implantar toda a nossa capacidade de empréstimo de trilhões de dólares", afirmou.

OCDE

A economia mundial sofrerá "por anos" e é "irrealista pensar" que se recuperará rapidamente, alertou o secretário-geral da OCDE, Angel Gurría, em entrevista nesta segunda-feira à TV britânica BBC. Segundo o mexicano, as últimas previsões da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que no início de março previam que a pandemia de coronavírus reduziria o crescimento mundial para 1,4% este ano, já parecem desatualizadas e excessivamente otimistas. Em novembro, antes do surgimento da Covid-19, a OCDE estimou que o Produto Interno Bruto (PIB) do mundo aumentaria este ano em 2,9%.

"Mesmo que não tenhamos uma recessão global, teremos um crescimento nulo ou negativo em muitas economias, incluindo as maiores, então (...) levará mais tempo para se recuperar", alertou Gurría nesta segunda-feira.

Na sua opinião, as incertezas associadas à pandemia, que paralisaram as atividades em todo o mundo quando muitos países optam por confinamento ou endurecimento do distanciamento social, tornam a agitação econômica mais séria do que após os ataques de 11 de setembro de 2001 ou a crise financeira de 2008. No sábado, Gurría pediu um esforço "coordenado internacionalmente" para tentar mitigar o enorme impacto da pandemia.

"Este é o terceiro e maior choque econômico, financeiro e social do século XXI e exige um esforço global moderno semelhante ao Plano Marshall e ao New Deal, combinados", para evitar uma "recessão prolongada", afirmou ele.

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