Eleições legislativas no Irã têm conservadores como favoritos

A 11ª legislatura que sairá das urnas desde a revolução islâmica de 1979 começará em um contexto de tensão elevada entre Teerã e Washington e de grande recessão no país

Legenda: Alguns iranianos usam máscaras durante dia de votação, temendo epidemia de coronavírus, que já vitimou quatro pessoas no país
Foto: AFP

Os iranianos comparecem às urnas, nesta sexta-feira (21), para eleições legislativas com candidatos conservadores como favoritos, uma consequência do ressentimento de boa parte da população com o presidente moderado Hassan Rohani, sobretudo pela crise econômica e denúncias de corrupção.

Os locais de votação abriram as portas às 8 horas (1h30 de Brasília), e o guia supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, foi um dos primeiros a depositar seu voto. Khamenei reiterou o apelo para que os quase 58 milhões de eleitores participem no processo, com o objetivo de "garantir o interesse nacional".

A 11ª legislatura que sairá das urnas desde a revolução islâmica de 1979 começará em um contexto de tensão elevada entre Teerã e Washington e de grande recessão no país.

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As eleições acontecem um mês e meio depois que as Forças Armadas iranianas derrubaram "por engano" um avião ucraniano, uma tragédia que aumentou a desconfiança a respeito do governo. Inicialmente, as autoridades civis negaram qualquer relação com a queda da aeronave, mas três dias depois da tragédia o Estado-Maior admitiu sua responsabilidade.

O reconhecimento tardio provocou manifestações contra os governantes, quebrando a aparente unidade nacional manifestada dias antes no funeral do general iraniano Qasem Soleimani, morto por um ataque estadunidense no Iraque em 3 de janeiro. 

Em Teerã, muitos moradores afirmaram à AFP que se negam a votar. Amir Mohtasham, 38 anos, desempregado há dois anos, resume o pensamento: "As eleições são algo em vão. Não confio nos conservadores nem nos reformistas".

Como a justiça eleitoral vetou milhares de candidaturas de reformistas e moderados, a votação ficou praticamente reduzida a um duelo entre conservadores e ultraconservadores, o que pode provocar um elevado índice de abstenção.

Dependendo do peso dos ultraconservadores na futura Assembleia, a política externa de abertura, aplicada por Rohani desde sua eleição em 2013, pode ter mudanças.

Os ultraconservadores se opõem a qualquer negociação com o Ocidente e acusam Rohani de ser passivo ante as ameaças do presidente estadunidense, Donald Trump.

Além disso, eles desejam sair do acordo internacional sobre o programa nuclear iraniano assinado em 2015, a grande conquista de Rohani, ameaçado desde que Trump se retirou unilateralmente do pacto em 2018.

Rohani esperava que o acordo de Viena iniciasse uma era de prosperidade para o Irã, acabando com o isolamento internacional do país. Porém, a retomada das sanções estadunidenses após a decisão de Trump levou o país à recessão. 

Alguns reformistas alertaram para uma possível vitória dos ultraconservadores em caso de abstenção elevada. Desde quarta-feira (19), a televisão exibe apelos de líderes políticos e de aiatolás para a votação.

Coronavírus

O Irã anunciou, nesta sexta-feira (21), que, no território, mais duas pessoas morreram vítimas do COVID-19, conhecido como coronavírus. Com a atualização, a epidemia vitimou fatalmente quatro pessoas no país. Por causa do temor da infecção, alguns iranianos foram aos locais de votação portando máscaras.


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